quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A Primeira Vez


Hoje pela primeira vez nesses ultimos meses, eu não precisei olhar no espelho enquanto arrumava meu cabelo e ficar repetindo: 'te odeio, te odeio, te odeio'. Hoje isso não foi necessário. Não porque eu esteja te odiando, não, não é isso. É que pela primeira vez nesses ultimos meses eu não lembrei de você quando eu acordei. Eu tambem escutei umas músicas da Ana ontem e nem senti a angustia que eu custumava sentir quando escutava ela começar a cantar. E sabe, pela primeira vez eu estou escrevendo um texto sobre você, mas sem estar sofrendo enquanto eu escrevo. Pela primeira vez eu estou escrevendo experimentando a sensação de estar leve. E sabe, eu tambem estou feliz, e sem nenhum peso no coração ... o que as vezes não é tão bom, afinal, estar leve e feliz e sem pesos no coração sempre me deixa com textos a menos, acho monótono ficar falando da minha alegria. Mas ainda assim algo atrasa um pouco o meu euforismo. Não, não é o fato de você ter se afastado de mim ... eu já me acustumei com a distância, me acustumei até com a falta de sentir falta de você. O que ainda me incomoda é o fato de eu ja não me incomodar. E pior que odiar, é não se importar mais. E pior que ver tanto amor disperdiçado, pior que ver tanto querendo fazer alguem feliz é ver tanto amor morrendo. E essa, com certeza, é a pior parte. E bem, ja faz algum tempo que eu estou tentando terminar esse texto, sinto que as ultimas linhas não acrescentaram nada para a nossa história. Ja pensei em varias frases de efeito para terminar com um final impactante. Ja pensei tambem naquelas frases que você costumava dizer ... aquelas merdas de 'infinito', 'imortalidade' ... enfim, aquele seu blá, blá, blá de sempre que no fundo eu nunca gostei. Mas sinceramente, acho que assim como eu não sei terminar nossa história, eu tambem não consigo terminar esse texto. Então que fique assim, sem razão, sem sentido, sem nada, sem fim.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Dia 29 ja vem.


Eu sei que ainda falta quase um mês pra isso, mas eu, como nos dois ultimos anos, planejo isso a muito tempo, e a inspiração veio agora, por isso, Parabéns. Feliz aniversário, feliz mesmo, afinal, não é todo dia que se faz 18 anos. Te desejo mais pureza, leveza, alegria, risos, inteligência, beleza, bom-humor ... enfim, tudo isso que você já tem tanto que até empresta um pouco pros outros as vezes, porque isso tudo sobra em você, e você sabe que tem muita gente com falta disso tudo que você tem. Mas eu queria mesmo é falar pra você que você me irrita sabe? Você nem deve saber, mas não importa a música que eu coloque pra escutar antes de dormir, é eu ligar o fone, e deitar na cama e ficar alguns minutinhos no escuro meditando sobre o que eu to escutando, que logo me vem uma inspiração absurda, uma vontade enorme de escrever sobre tanta coisa, e eu sei que se eu dormir e esperar pra escrever no outro dia eu não vou lembrar de tudo, então eu levanto e escrevo, exatamente como estou fazendo agora, perdendo horas de sono, e ainda vou acordar cedo porque tem aula daqui a pouco. E sabe, eu te odeio. Odeio assistir o clipe novo da Alanis e ficar pensando em você enquanto eu assisto ela caminhando na praia, com aquele fundo triste com a letra da música igualmente triste. Odeio escutar a música nova da Pink e ver como você fez tudo pra se encaixar exatamente com todas as palavras que ela canta. Talvez a culpa nem seja sua, talvez a culpa seja da Pink ou da Alanis de terem pensando em nós quando estavam escrevendo essas músicas ... é, deve ter sido isso mesmo. Odeio também quando eu to lendo algum texto do Caio, e naquelas infindáveis linhas de uma amargura que eu jamais senti, eu fico pensando em como você tem feito eu me sentir. Tem também os textos da Tati, ela é provavelmente a minha escritora favorita, e os textos dela também são fantásticos, em praticamente todos que eu já li dela, algo se encaixava perfeitamente em você. Eu concerteza já teria te mostrado um monte deles se você parasse de passar por mim com um silêncio digno de uma tumba. E tem aquela hora do dia que é impossível não pensar em você também. É geralmente entre as 4 e as 5 da tarde, sabe porque? Olhando da janela, da pra ver o sol se pondo entre umas árvores e uns prédios, e mesmo olhando aqui de casa, entre prédios, casas e muita poluição, o por-do-sol continuo lindo, lindo igual você continua sendo, mesmo no meio de tanta gente chata, sem graça e irritante que você teima em chamar de seus melhores amigos agora. É, me desculpa por reclamar deles. Mas você sabe como eu sou impulsivo. E eu não gosto mesmo deles. Não gosto, e tenho ciúmes. Ciúmes porque eles estão com você e eu não, e isso já é motivo pra que eu deseje que o chão abra e engula todos eles de uma vez só. Isso mesmo que você ouviu, ou você por acaso já se esqueceu que eu sou extremamente egoísta? E sabe o que é mais estranho? Que apesar de ser egoísta e ciumento, você a única coisa que eu amo que eu deixo solta, sabia? É, eu não te prendo, melhor, eu não consigo te prender, e nem que eu quisesse eu conseguiria, você é livre demais, solto demais, dado demais ... dado demais pro meu gosto. Você é simpático, você consegue falar com todo mundo, coisa que eu não sei fazer, e tenho raiva de você por ser melhor que eu nisso também. Lembra daquele menino que eu falei que conheci? Que te mostrei todo empolgado uma foto dele e você disse que me achava mais lindo que ele? Pois então, ele é mais bonito que você, ele é mais legal que você, ele consegue ser mais simpático que você, ele é mais engraçado que você, o abraço dele é mais apertado que o seu também, mas ele tem um defeito insuportável que eu não consigo deixar passar ... ele não é você. E isso é o pior defeito que uma pessoa pode ter pra mim. Sabe, todo mundo ficou um pouco mais cinza depois de você. Acho que você agravou o meu daltonismo, e hoje eu só consigo enxergar cores em você. Sabe o que eu queria? Queria que você lesse todos os meus textos. Queria que você lesse e pensasse: ‘Caralho, isso tudo é pra mim’. E é mesmo sabia? Os dias que eu digo não querer falar sobre você, não tem texto, não tem inspiração, nem sol tem, sabia? É, eu fiquei meio refém de toda essa história. Mas a Síndrome de Estocolmo me faz esquecer tudo. Agora eu te odeio. Te odeio mesmo. E agora eu sei que você deve ter dado uma risada quando leu essa frase, mas acredite, eu to te odeando mesmo. Eu prometi que eu não ia escrever mais pra você, eu até tinha pensado em umas coisas legais pra escrever, mas assim como em todas as vezes, falar de você encobre todas as outras coisas. Sabe quando o sol de alegria da brilhando no céu e algumas nuvens de uma tristeza cinza encobrem ele? Então, é mais ou menos a mesma coisa que acontece quando eu to dando risada com os meus amigos e você da uma risada mais alto ainda. Sabe, sua risada sufoca a minha. E um eclipse acontece na minha mente toda vez que você ri mais alto. Parece que você esta me dizendo: ‘Olha, você não ta aqui e mesmo assim eu to rindo. Eu sou feliz sem você’. E eu falo baixinho pra mim, só pra mim escutar: ‘Mas eu não to feliz sem você’. Não mesmo, acredite. Não estou infeliz não, mas minha felicidade não esta completa sabe? Sabe aquela sensação de que algo esta faltando? É como se eu tivesse escutando varias pessoas contando as piadas mais engraçadas do mundo e ver todos rindo a minha volta e eu não conseguir achar a mínima graça. É, além das cores, você também deixou as pessoas um pouco menos engraçadas também. Basta. Até você já deve estar cançado de ter tantos textos pra você né? Mas desculpa vai, enquanto você ta ai, enquanto você não quer voltar, enquanto você achar que a gente tem que ficar distante, o maximo que eu posso fazer é ficar escrevendo. Eu já te disse que isso me faz sentir melhor, não falei? Mas agora me bateu uma duvida. Esse que esta escrevendo não sou eu. Eu sou forte normalmente, eu sou intenso, sou pesado e eu não fico me rendendo a toá. E agora eu olhei no espelho e vi um ser tão fraco, desengonçado e sem jeito. Ah! Além das cores e da graça que você tirou dos outros, você também tirou o que eu tinha de melhor em mim, você. Então faça-me o favor, me devolve o que me pertence por direito porque a peça chave da decoração da minha alma se ausentou e eu estou esperando ela voltar. Acho que já devem ter passado milhares de coisas pela sua cabeça enquanto você le tudo o que eu escrevi até aqui, não? Pois tudo o que passou esta errado. Não é nada disso que você ta pensando não. Eu sei, soa estranho, mas sabe, eu sou um pouco estranho mesmo, e eu ainda vejo em você a dose de normalidade que eu preciso pra ser alguém menos diferente ou pelo menos, mais parecida com você. E não me odeia não por escrever tanto, é que eu acho um disperdicio muito grande 2 anos da minha vida serem esquecidos ou jogados fora. E é sincero, é puro de verdade, é puro como poucas coisas que eu faço são puras, mas você faz elas serem puras. Em pensar que eu comecei esse texto pra te desejar um feliz aniversário e te parabenizar, então vamos ao que eu realmente já devia ter falado. Parabéns por ser lindo, parabéns por ser tão inteligente, parabéns por ser quem você é, parabéns por ter feito 18 anos, e isso não se faz todo dia ein? Parabéns também por ter tido paciência comigo, parabéns por gostar de me irritar sem medo das conseqüências, parabéns por ter me aturado por tanto tempo ... mas acima de tudo, parabéns por não ter pensado duas vezes antes de me chutar da sua vida quando eu já não fazia mais diferença. E mesmo não estando mais participando desse teatro enorme que você vive, eu ainda aplaudo essa sua peça de pé, só porque o ator principal é você, e você eu amo mesmo até quando eu não deveria amar.

 

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Mentiras


Eu vou ficar bem quando não estiver mais entre quem eu amo. Eu vou ficar bem quando não passar no vestibular. Eu vou ficar bem quando não poder contar mais meus segredos pros meus amigos. Eu vou ficar bem quando tirar meu violão da capa e afinar as cordas que desafinaram depois de tanto tempo sem tocar. Eu vou ficar bem quando eu estiver sentado escrevendo milhares de linhas sem nenhum sentindo. Eu vou ficar bem quando eu voltar pra casa, caminhando sozinho, como sempre foi. Eu vou ficar bem quando ver que a minha calça preferida não servir mais em mim. Eu vou ficar bem quando uma espinha gigantesca nascer bem no meio da minha testa. Eu vou ficar bem quando eu não achar uma bolacha na dispensa pra poder comer. Eu vou ficar bem quando eu estiver deitado na cama olhado um ponto fixo, simplismente por não ter mais ninguem comigo. Eu vou ficar bem quando estiver totalmente sozinho. Eu vou estar bem quando eu tiver que acordar cedo pra ir pra um trabalho que eu nem sei se eu vou gostar. Eu vou estar bem quando eu acordar na segunda de ressaca. Eu vou estar bem quando eu tiver coragem de experimentar um cigarro. Eu vou estar bem quando não conseguir mais escutar música. Eu vou estar bem quando não sentir mais vontade de levantar e dançar. Eu vou ficar bem quando eu não conseguir aprender mais nada. Eu vou ficar bem quando eu começar a gritar no escuro e ninguem me escutar. Eu vou estar bem chorando em cima da minha cama enquanto escuto alguma música triste. Eu vou estar bem quando quem eu amo ja tiver ido. Eu vou ficar bem quando eu ja não for tão jovem. Eu vou ficar bem quando eu perder o pouco de beleza que ainda me sobre. Eu vou ficar bem quando eu for procurar um chocolate e não achar. Eu vou ficar bem quando eu sentar e olhar minhas cicatrizes. Eu vou ficar bem quando não tiver mais forças pra levantar. Eu vou ficar bem quando não ver o meu sorriso como eu gosto. Eu vou ficar bem sempre que meu reflexo mostra alguem que eu realmente não queria mais ser. Eu vou ficar bem quando eu não conseguir mais sonhar. Eu vou ficar bem quando eu lembrar de tudo o que eu não quero lembrar. Eu vou ficar bem quando o dinheiro acabar. Eu vou ficar bem quando estiver estudando o dia inteiro pra passar na merda da faculdade que eu tanto quero. Eu vou ficar bem quando eu escutar alguem falando mal de mim. Eu vou ficar calmo quando alguem falar mais alto comigo. Eu vou ficar bem quando eu ver que todos esses anos que eu vivi eu não fiz nada que realmente valesse a pena. Eu vou ficar bem quando eu ver que ninguem acredita mais que eu posso conseguir. Eu vou ficar bem quando ninguem mais estiver ao meu lado. Eu vou ficar bem quando eu mesmo não acreditar mais em mim. Eu vou ficar bem quando o ano acabar. Eu vou ficar bem com você ou não. Mas sabe quando eu realmente vou ficar bem? Eu realmente vou ficar bem quando eu deixar de fingir que eu acredito nas minhas mentiras, quando eu deixar de falar que estou bem quando eu na verdade estou morrendo, quando eu deixar de sorrir quando na verdade eu quero realmente chorar sangue, quando eu não sentir mais tanto aperto no meu coração, quando eu deixar de sentir tanta falta de ar ... ou pelo menos, eu vou ficar bem quando eu parar de viver morrendo, pra você morrer vivendo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Viceral


Tenho me olhado de fora esses ultimos dias. Me analiso.  Checo meus pulmões e noto a arritimia da minha respiração. Depois olho como anda meu coração, e como eu suspeitava, os batimentos andam meio descompassados. A visão anda mais turva que o comum ultimamente. Minhas pernas andam fracas, mal tem sustentado o peso do meu corpo nas horas que eu tento levantar da cama, e depois de muito esforço, elas me sustentam trêmulas. Os braços tambem ja não tem a mesma força. Mau conseguem levantar os talheres, alias, não tenho comido nada, e o gosto amargo na boca tem sido constante. Tenho falado pouco tambem, minha garganta anda bem seca, e as poucas palavras que eu consigo soltar de vez em quando, saem me rasgando. E tem essa febre que não me deixa tambem, e me faz ficar o dia inteiro embaixo do meu cobertor, e mesmo nos dias quentes me faz sentir um frio imenso. Mas o frio que eu ando sentindo é de dentro pra fora, sinto tudo muito gelado aqui dentro. Em cada batida sem ritmo do meu coração eu sinto como se lâminas geladas passassem retalhando minhas veias. Falando em gelo, minhas mãos estão mais geladas que o comum. Meus dedos doem, e é até dificil escrever.  Mas nada disso se compara com as dores de cabeça que eu ando tendo. São fortes, são agudas, são dilacerantes ao ponto de me derrubarem no chão ja que minha pernas, como eu ja disse, mau tem conseguido aguentar meu peso. E no chão eu fico me retorcendo, sentindo uma enorme ânsia, querendo vomitar até a ultima das minhas viceras. A intensidade de tudo tem me matado aos poucos. Eu sei que as dores são coisas da minha cabeça, mas são tão reais que eu chego ao ponto de senti-las de verdade. Hoje eu me perguntei onde foi parar aquela força toda que eu tinha e ja não sei onde esta. Talvez, eu nunca tenha sido realmente forte. Na verdade eu tenha sido mais fraco ainda por acreditar que era forte quando eu não era. Eu tinha medo de sentir dor, mas hoje eu sei que a dor me faz sentir que eu estou realmente vivo. E eu ja acustumei com ela, alias, eu ja absorvo ela. Não dói mais na verdade, tinha ficado tão acustumado a sentir ela todo dia que ja tinha virado custume acreditar que ela ainda existia. Ela é apenas uma lembrança, melhor, é apenas mais uma pra minha coleção de cicatrizes, que você me deixou. Olha, quase consegui escrever um texto inteiro sem falar diretamente sobre você. Mas dessa vez esse 'você' é diferente, não é mais com saudade, com vontade de voltar, com pena de mim, nem suplicando pra você voltar. É apenas um você. Assim como poderia escrever a palavra merda aqui no texto eu tambem posso escrever a palavra você. Pensando bem, os significados pra mim são quase que equivalentes nos dois casos. Aqui dentro existe um vazio enorme, um vácuo. Mas assim como o universo se originou do nada, eu tambem posso reconstruir meu universo do nada que você se tornou.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Falar só por falar.


Talvez seja porque o ano já ta acabando, e com ele as aulas também. A formatura, a viagem ... e isso tudo meio que está ocupando demais minha cabeça e por isso eu esteja conseguindo.

  Talvez seja por causa desse tempo frio que ta fazendo esses últimos dias, e esse tempo me tanto sono, mas tanto sono ... você sabe como eu fico quando o clima ta assim. E eu tenho dormido bastante, e isso também ta me ajudando.

  Talvez seja porque eu tenho conhecido novas pessoas. E essas pessoas tem me feito muito bem. Dividir minhas idéias, contar minhas histórias ... tem relaxado bastante a minha cabeça. Tem até uma garota nova, eu acho ela linda. Nem deu pra te contar sobre ela ... você sabe o porque.

  Talvez seja por causa da Negresco que eu to comendo agora. Você não sabe como eu fiquei viciado nelas nessas ultimas semanas ... e nem tem com você saber né? A gente nunca mais sento pra falar sobre as nossas vidas.

Talvez seja porque eu ja falei tanto de você que os versos estão ficando menores, ja que eu não tenho mais nada de novo pra falar de você, e até eu começo a ficar entediado de escrever só sobre você e como você foi importante.

  Talvez seja por causa da música da Ana que eu to escutando ela cantar agora aqui. Você deve se lembrar de como eu gostava de falar das músicas dela pra você. E nossa, essa música que ta tocando agora é foda, a Ana canta como poucos: ‘Se eu disse que já nem sinto nada? Que a estrada sem você é mais segura. [...] Sinto dizer que amo mesmo, ta ruim pra disfarçar. Entre nós dois não cabe mais nenhum segredo além do que já combinamos. No vão das coisas que a gente disse, não cabe mais sermos somente amigos, e quando eu falo que eu já nem quero, a frase fica do avesso, meio na contra-mão, e quando eu finjo que esqueço, eu não esqueci nada. Não é que eu queira reviver nenhum passado ou revirar um sentimento revirado. Mas todo vez que eu procuro uma saída, acabo entrando sem querer na sua vida’. É, como eu costumava te dizer, ela é foda! Ta vendo porque eu sempre te dizia isso?

  Enfim, os 'porquês' são infinitos pra eu me convencer de tudo. E eu realmente acho que to conseguindo. Esses últimos dias tem sido bem legais, mesmo sem você. Eu até consigo sorrir de verdade ultimamente. Ontem eu passei o dia inteiro sem pensar em você sabia? Juro. Hoje que eu me dei conta disso, me senti vitorioso já. E hoje eu até te escutei falei uma daquelas merdas que você fala, e não senti nada. Nem saudade, nem raiva, nem nada. Acho que o feitiço ta perdendo a força. Acho, e torço muito, pra que finalmente eu esteja conseguindo andar com meus próprios pés e não com os seus. E espero que se eu cai, que eu cai no chão e arrebente a cara bem feio, e não caia mais nesse abismo que tem nome, o teu.

domingo, 5 de outubro de 2008

Queimada


Nós sempre fomos intensos demais. Desde o começo. Nos fomos intensos demais. A gente mal se conheceu e já parecia que nós passamos a vida inteira juntos. Em poucos dias, você já tinha derrubado as barreiras que demorei minha vida inteira construindo ao meu redor. Você mais do que ninguém, soube o quanto eu tinha me resguardado, o quanto eu tinha me distanciado de mim mesmo, eu fiquei tanto tempo distante de mim que já não sabia quem eu era mais, mas isso tudo até você.Até você aparecer, até você chegar.

  E você apareceu, chutando tudo, derrubando portas, muros, me derrubando no chão, passando por cima de mim, me atropelando, renovando tudo o que eu acreditava e o que eu achava que era certo. Você sempre soube fazer isso como ninguém, você me desconcertava, você me fazia me sentir novo a cada sílaba que você dizia.

  E nós conversamos tanto. Você me contava das suas paixões, das suas idéias, dos seus sentimentos, dos seus problemas,  das suas crenças e eu escutava tudo, como sempre, porque eu adorava te escutar falando. Mas mais que te escutar falando sobre tudo isso, eu realmente amava te escutar falando do quanto você me amava. Amava escutar você me chamando de alma gêmea. Era tão intenso tudo aquilo. Intenso e puro. Amava os teus abraços também. Aqueles inesperados quando eu estava distraído com alguma coisa, aqueles que você chegava do nada e me apertava, chegava a estalar os ossos das minhas costas. Parecia que você queria que cada centímetro da tua pele entresse em contato com a minha, e isso era tão bom.

  E melhor ainda, era quando eu estava em mais uma daquelas das minhas crises de mau humor, que eu começa a implicar com você, por qualquer coisa que eu fingia não gostar em você, e no meio das minha implicâncias, você solta um ‘mas mesmo assim eu ainda te amo’ e como isso quebrava as minhas pernas. Puta que pariu, parece que você tinha aprendido em algum lugar que eu queria conhecer, como me deixar sem palavras, logo eu, que sempre falei demais, e sempre tinha uma resposta pra tudo. Mas não pra você, assim como eu nunca tive, eu ainda hoje não tenho uma resposta pra você.

  Mas falar demais cansa, e a gente cansou. Mas ai nós começamos a escrever. Parecíamos aqueles homens das cavernas, que deixavam seus desenhos escrustados nas pedras, pra contar as histórias, as descobertas. Nós escrevíamos, nós colocávamos no papel, o que algumas pessoas não conseguiriam nem com muito esforço dizer cara-a-cara. E nós fazíamos isso com uma facilidade absurda. A gente só precisava de um papel e um lápiz pra poder falar de como era grande o nosso sentimento, ou o quanto a gente confiava um no outro.

  Mas ai, nós cansamos de escrever também. E bem, tudo já havia sido dito, tudo já havia sido escrito, e nós chegamos um ponto que não tinha mais como ir pra cima e então nós começamos a descer. O tempo passou pra mim e levou com ele não só os melhores anos da minha vida, ou a época que eu me senti melhor ... ele levou junto com ele você de mim, e eu hoje eu me vejo tendo ciúmes até da carteira que você senta porque você passa mais tempo perto dela do que de mim.

  E agora, eu estou tentando esquecer o que você me disse, cada palavra. Talvez assim eu consiga me sentir um pouco melhor. Mas quando eu tento esquecer as palavras eu lembro que quem as disse foi você e eu perco a linha e já esqueço quem eu era e o que eu estava tentando fazer. Então eu tento queimar as cartas, as frases, os desenhos, sua letra nos meus cadernos, mas tentar queima-las, me lembra que a sua mão já esteve por ali, e isso já me faz perder as forças e eu já nem consigo acender o fósforo. Então eu deito na cama e fico olhando um ponto fixo no teto, tentando não pensar em nada, mas o nada me lembra você. Melhor, o nada me lembra de mim mesmo. Me lembra de como eu tenho sido nada desde o dia que você me deixou de se importar com a gente.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

As nossas cinzas


Sinceramente, ando meio cansado de só escrever sobre o mesmo assunto. Isso tem me fadigado bastante nos ultimos dias. Mas acho que foi a maneira que eu encontrei, inconscientemente, de tentar cansar a mim mesmo de tudo o que eu ando vivenciando. Sei la, talvez seja essa a unica solução. Cansar a mim mesmo, me destruir até não ter mais nenhum tijolinho em pé, nenhuma estrutura pros ventos que, me atacam de tempos em tempos, poderem derrubar mais. 

Mas não gosto, e nunca gostei de culpar o acaso. Acaso não existe. O ser humano tem o péssimo hábito de culpar o destino, o acaso ou sei la mais o que sobre os seus problemas, numa tentativa imbecial e cega de fingir que não tem culpa de seus problemas. E eu nunca fui assim, sempre procurei os motivos, as soluções, os porquês de tudo. E acho que é isso que mais me intriga ultimamente: não encontrar os porquês.

E ando achando tambem, que não tenho mais neurônios, mais tempo, mais espaço pra ficar procurando os seus motivos. E é quando eu paro de tentar que eu consigo me livrar do que me faz mal. Quando eu paro de tentar exorcisar meus demônios é que eles são expelidos naturalmente, e assim vai ser com você ... eu espero. E sabe porque? Porque eu sempre destruo o que eu amo. Alias, o que eu realmente amo, ainda nem existe.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Se lembra?



Hoje eu acordei e coloquei aquela música da Amy que você tanto odeia. Coloquei ela só pra lembrar da cara de 'nossa, que merda é essa' que você fez na primeira vez que eu te mostrei uma música dela. Fui tomar banho, cantando bem alto, cada palavra da música. 'Love is a losing game ...' eu cantarolo a plenos pulmões de baixo do chuveiro. Canto alto, pra quem sabe assim você me escutar cantando a música que você acha tão chata e eu consiga te incomodar.

  Começo a me trocar, hoje eu escolhi vestir aquela minha camiseta que você gostava, é, aquela mesmo que você disse ter adorado. Aquela que tem um par de asas de anjo atrás. Lembro da primeira vez que você me viu com ela e disse: 'Nossa, finalmente meu anjo tem asas' e eu respondi 'Tenho asas desde o dia que eu te conheci' . Coloquei ela pra ver se você volta a me olhar, com aquela cara que só você sabe fazer. Uma cara meio de criança, meio de safado ... não sei descrever. Só vendo mesmo, pra saber o turbilhão de sensações que me invadem quando você me olha daquele jeito que só você sabe olhar.

  Depois coloquei aquela calça que eu ia usar naquele dia que eu desmarquei o nosso cinema em cima da hora. Coloquei ela pra talvez lembrar da voz que você fez no telefone quando eu disse que não ia mais poder ir. Confesso que aquela voz, apesar de ter soado tão irritada, foi talvez uma das melhores vozes que você ja fez no telefone pra mim. Sua voz me excitava, no sentido sexual tambem, mas mais ainda que isso, ela me fazia me sentir vivo. Por isso que eu sempre pedia pra você me ligar. Sempre adorei ouvir você dizendo 'Alô' com aquele vozerão que você fazia quando queria brincar.

  Hoje eu vo colocar aquela correntinha que eu comprei no mesmo dia que eu comprei a sua. É, aquela que você perdeu não sei aonde e eu fiquei tão irritado quando você me contou. Mas só de lembrar da sua cara quando eu te dei ela, das lágrimas que encheram os teus olhos, do abraço apertado só você sabe dar, e da carinha que você fez depois de colocar ela no pescoço, só essas lembranças ja me fizeram esquecer tudo. Alias, até hoje eu procuro lembrar disso quando eu to com raiva.

  Hoje eu resolvi tira meu violão do armário, arrumar as cordas e tocar uma música. Uma música não, aquela música que a gente tocava. ‘Se lembra daquele dia que a chuva caía e a gente ali? Deitado na barraca ouvindo Blink e NFG [...] E fotografias a gente tirou de momentos que eu não vou mais esquecer, a gente a tarde inteira, olhando a tarde inteira passar’ ... É, eu ainda lembro, e dói de vez em quando ... mas que lembrar me doa, é na lembrança que eu fico bem, lembrando de tudo.

  Hoje eu sentei e fiquei horas escrevendo frases aleatórias, coisas minhas. Sabe, aquelas coisas que você adorava ler quando eu escrevia?. Assim como é impossível não rabiscar um daqueles bonequinhos de Makemefeel e não lembrar de como você gostava deles, da cara de bobo que tu ficava olhando pra eles, ou até mesmo das vezes que eu tentei de ensinar a fazer um.

  É, é das pequenas coisas que eu mais sinto falta. Elas podiam ser pequenas e sem importância pra alguns, mas elas realmente me completavam, e me faziam tão bem. Você me fazia bem. Você me fez acreditar, de verdade, que alguém realmente olhava por mim la de cima, e que esse alguém realmente tinha escolhido você pra ser, como você gostava de dizer: Minha alma gêmea. E eu não posso e não consigo assistir, sem dor, sem chorar, sem tentar fazer alguma coisa, o amor morrer. Eu demorei demais pra acreditar que ele existia de verdade, e hoje estou assistindo sem poder fazer nada, ele morrendo. E pior que isso, é que ele esta levando, o que eu tinha de melhor antes de te encontrar e que eu guardava tão bem guardado pra que eu não precisasse sofrer em vão, e eu te entreguei porque eu sabia, e ainda sei, que você foi a pessoa certa pra que ele fosse entregue de verdade. Meu coração.