quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Mau-humor crônico


Esse texto tem tudo para ser uma grande merda. Primeiro porque a porra do modem resolveu queimar e eu fiquei sem internet, segundo porque eu perdi boa parte do dia na coisa mais inútil que o ser humano já inventou: a porra do telefone. Perdi boa parte do dia na porra do telefone porque fiquei tentando, desesperado, fazer a internet voltar, mas ai tem a segunda coisa mais inútil que o ser humano já inventou: o operador de telemarketing. Puta que pariu, para que finalidade inventaram essa bosta de profissão, que serve para tudo (deixar alguém irritado principalmente ), menos conseguir resolver os problemas pelos quais você liga para eles para serem solucionados?! E como não tinha internet, fui tentar achar algo que me distraice na televisão, mas no final acabei mais mau-humorado ainda, afinal, quando não se tem nada de mais interessante para assistir nem na tv a cabo o melhor a se fazer é dormir ou ficar coçando o saco na internet, e como eu estava sem sono, não dormi e como estava sem internet fiquei apenas coçando o saco mesmo. E coçar o saco sem por não ter mais nada para fazer me deixou mais mau-humorado ainda. E para pioras mais ainda, eu não te vi a semana inteira. Porra, o mundo quer que eu exploda de mau-humor não?! Então, sentei para ler um livro, aquele da minha escrito predileta, que é mau-humorada, chata, e pessimista, assim como eu também sou. E bem, lendo eu fiquei mais mau-humorado ainda. E meu mau humor só aumenta com cada linha que eu lia. Então, com de costume, eu resolvi escrever para diminuir um pouco o meu mau-humor. Ligo o meu I-Pod no ultimo volume, tranco a porta do meu quarto e espero que o mundo la fora exploda enquanto eu escrevo. Mas escrever também me deixa de mau-humor. E a música alta também me deixa mau-humorado. Mau-humorado e triste. Triste porque a música alta, escrever e até meu próprio mau-humor me lembra você. Mas isso não é nenhuma novidade, afinal, até aquele pseudo-apresentador de pseudo-jornal-investigativo-sensacionalista me lembra você. Não que você seja um pseudo-apresentador de pseudo-jornal-ivestigativo-sensacionalista, é que ele assim como você, mesmo eu não gostando de nada que ele faz, ele ainda assim faz com que eu fiquei assistindo a tarde inteira, e goste de ficar a tarde inteira, aquele porra de pseudo-jornal, com pseudo-noticias importantes. E você também é assim. Eu não gosto de tanta coisa em você, e ainda assim, você consegue fazer com que eu fique o tempo todo, e goste de ficar o tempo todo, pensando sobre o que você esta fazendo e no que você esta pensando. E ele fala alto igual você, melhor, ele não fala, ele grita. Igualzinho você. E você sabe como gente falando alto me deixa de mau-humor. E já que eu falei tanto sobre mau-humor, você talvez tenha sido a única pessoa que realmente conseguiu aturar meu mau-humor, que de tão constante se tornou praticamente crônico. Crônico assim é pensar você, respirar você, viver você, acordar você, mau-humor você, morrer você. E apesar de você ter sido uma das únicas pessoas que estiverem do meu lado enquanto eu estava de mau-humor e sobreviveram para contar a história, você com certeza é um dos meus maiores motivos para ficar de mau-humor. Porque caralho, como eu não ficar irritado com alguém que rouba tanto? Você roubou meus sorrisos, meus sonos tranqüilos, os dias de sol, as músicas de fossa que eu escutava dando risada com você, e o pouco de bom-humor que eu tinha algumas raras vezes durante o mês. Você roubou tudo isso e me deixou só com nada de alegria, um pouco de sorrisos forçados, alguns pesadelos e muito, mais muito mesmo mau-humor. Você com essa sua risada alta, sua barba mal-feita, seu sorriso simples e escancarado, sua boca que eu insisto em dizer ser a oitava maravilha do mundo, seus olhos de criancinha que acabou de ganhar um brinquedo, seus braços fortes que estalam minhas costas quando me abraçam e a sua barriga que me faz pensar em coisas que eu não sabia que existiam, me deixam de mau-humor. E todo esse mau-humor é fruto da árvore que eu e você plantamos. Você semente, caiu em mim terra e nasceu, cresceu, amadureceu, ganhou território, criou raízes e por mais que te cortem na metade, suas raízes continuam em mim. Aos poucos o mau-humor vai diminuindo e eu dou risada de alguma coisa idiota que acontece na novela que eu nem sei do que se trata. E assim, como em todas as outras as vezes, eu me distraio com alguma coisa ou com alguém, porque sem você, nada nem ninguém passa de distração momentânea, e eu vou me distraindo com elas, até que as memórias voltam, a tristeza volta, o mau-humor volta, o único que não volta é você.

domingo, 9 de novembro de 2008

Tudo


Eu não deveria escrever um texto pra você agora porque eu estou bem irritado, mas como eu não vou te ver amanhã e provavelmente também não vou falar com você, então é melhor escrever agora mesmo. Sim, você tem uma lista infindável de defeitos que eu não suporto em uma pessoa. Você é cabeça dura e mesmo você vendo que você ta se ferrando você continua insistindo no que você acha certo. Você é impulsiva demais e não pensa nem um segundo quando alguma idéia vem na sua cabeça e já começa logo a coloca-la em prática. Você toma decisões precipitadas e faz burradas enormes. Você é refém de uma pessoa que todos julgam não te merecer e mesmo assim você não da ouvidos para o que estão dizendo. Você não se importa com o que estão pensando ou falando de você, você é alto-suficiente com as suas idéias, e você não pensa duas vezes antes de se trancar dentro do seu mundinho e querer que o mundo todo la fora se feche. Pois é, você tem todos esses defeitos e mais um monte que eu não ouso nem citar. Mas acho que o real motivo de eu odiar tanto esses seus defeitos, é porque eu me vejo em você, porque eu também sou cabeça dura, impulsivo, tomo decisões precipitadas, sou refém de alguém que todos julgam que não me merece e eu também não me importo com o que os outros pensam ou falam de mim. E é por isso que eu te dou bronca e bato o pé nas suas decisões. Eu sempre, em tudo o que você faz, sempre vejo um pouco de mim fazendo também, é por isso que eu sempre me preocupo tanto com você: cada queda sua, é como se eu estivesse indo e quebrando junto.Mas tem uma coisa que você tem, e muita, que eu não tenho, coragem. Você tem muita coragem correndo nas suas veias. Você da a cara a tapa, você sofre, você cai e se levanta, e eu já não tenho tanta coragem assim. Mas ainda assim, eu vejo em você, um reflexo quase idêntico ao meu. Se isso fosse um jogo com certeza nós estaríamos do mesmo lado. Se isso fosse um filme, nós com certeza seríamos os vilões, mas no nosso filme, o final feliz é nosso. Ah! Esqueci, a gente não acredita em finais-felizes, nem em felizes para sempre. Mas ainda assim, nós sempre terminamos do mesmo lado. Nós brigamos, nós dizemos as verdades que a gente acha que o outro precisa ouvir, nós fazemos pirraça um pro outro e finge que não se conhece, mas no final, a gente sempre volta ao normal, porque, pelo menos pra mim, estranho era quando eu não te conhecia. Eu comecei esse texto com a pretensão de te falar coisas que eu não costumo dizer rotineiramente, porém, apesar de não dizer, eu acredito que você já saiba tudo isso, porque, a nossa ligação é quase telepática, e só de cruzar nossos olhares nós sabemos o que o outro esta pensando. Pode ser que por esse ser o ultimo ano nosso juntos, por ser os últimos dias que vamos dividir nossas manhãs, nós possamos perder um pouco de contato, porém, ainda assim, se tem alguém que marcou a minha história e que me ensinou, como diz a música, ‘Que pra ta junto, não precisa ta perto’ esse alguém foi você. E eu gostei tanto de aprender com você. Porque é até estranho pensar que nós não nos conhecemos desde pequenos, que nós não demos nossos primeiros passos juntos, que tivemos nossas primeiras manias infantis juntos, que não contamos nossos segredos da adolescência desde o comecinho, e que não estamos juntos a tanto tempo. Mas, se tem outra coisa que você me ensinou, foi que tempo não define intensidade, mas sim, a semelhança que define o valor que nós damos a tudo que nós dois conquistamos juntos durante esses poucos anos. Te agradeço por isso. Não vou falar sobre seu aniversário, nem muito menos te desejar felicidades, isso eu já desejo todo dia, hoje não poderia ser diferente. E pra terminar, como uma vez eu te disse: Não se esquece, nem por um segundo, que o nosso amor é o maior do mundo! Eu te amo Gabriely, de verdade.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Um texto sobre quem eu amo (de verdade)


Faz tempo que eu não escrevo, nem sei se sei mais fazer isso, sabe? Deu pra perceber que eu adoro fazer essas perguntas no meio dos textos, perguntas sem respostas, e que geralmente são colocadas de maneiras tão genéricas que ninguem nunca sabe pra quem eu estou perguntando e o porque de eu estar perguntando. Isso é um problema para mim. Por que não é só aqui, aqui como em tantos outros lugares, minhas perguntas, sempre saem, sem direção e nunca voltam com uma resposta. Minhas perguntas nunca possuem respostas. E o pior é que são tantas perguntas, e são tão mais respostas que chego a pensar que vou morrer e não vou ter descoberto metade do que eu deveria saber quando minha hora aqui acabar. Mas enfim, não quero mais um texto pessimista, nem muito menos com perguntas que não são para ninguem e que nunca recebem uma resposta. Eu dei tanta risada hoje, chorei de rir. E tambem passei um bom tempo falando mal de um monte de gente, não, não tenho vergonha de falar isso. Passei bastante tempo falando mal mesmo, nunca fui daquele tipinho que diz que falar mal de fulano ou beltrana é falsidade, e todos, ao menos uma vez na vida, ja deram uma agulhada em alguem, então poupem-me de sermões sobre falsidade porque todos ja sentaram em cima do rabo para falar de alguem. Comigo não tem essas hipocrisias. Sabe, ando cansado de gente fingindo não ser gente. Essas emoções, ações e sorrisinhos robotizados me incomodam na alma. A intensidade das minhas emoções são tão grandes que acho, e espero, que eu nunca chegue a esse ponto que todos chegaram de conseguir sorrir quando querem chorar e fingir estar bem quando não está. Eu sou transparente demais. Mas começo a entender o que a coordenadora da escola me disse semana passada: 'Nem todos estão preparados para lidar com sinceridade. Transparência demais assusta'. E isso é verdade, antes eu pensava que assustava as pessoas por ser chato demais, por reclamar demais de tudo e todos, por nunca estar satisfeito com nada, por sempre ver e apontar os defeitos alheios, por dar risada de gente caindo na rua, por falar o que eu estava sentindo sem pensar duas vezes, por as vezes deixar de falar mas expressar claramente no meu rosto o que eu estava sentindo, por ser um maluco bipolar, e depois de pensar muito nisso tudo e no que a coordenadora disse ... é por isso mesmo que eu assusto as pessoas. E sinceramente, foda-se! Nunca quis ser o ursinho de pelúcia de ninguem, muito menos quis esconder quem eu era de verdade. Se eu sou assustador igual filme de terror em noite de Sexta-Feira 13, pois então que seja para arrepiar até o ultimo fio de cabelo. E mesmo assim com toda a chatice, as reclamações, as instisfações, com todas as vezes que eu apontei, sem medo, os defeitos de alguem, e por todas as vezes que eu dei risada de alguem caindo na rua, e com toda a bipolaridade, porra, mesmo com tudo isso, eu tenho amigos, amigos de verdade e que me amam mesmo caralho! E se tem alguem gostando é porque em alguma parte a fórmula esta certa. Porra, odiei essa ultima frase, mas mesmo assim vou deixar, esse texto não precisa estar perfeito porque quem esta escrevendo não é perfeito e no fim eu vou poder achar algum defeito, assim como em todas as coisas que eu vejo. Mas voltando aos meus amigos, caralho, com todos os meus defeitos eles me amam. Tem a minha melhor amiga, que eu chamo de insuportável quando não tava mais aguentando ela falar da mesma coisa, e que alguns minutos depois eu ja tava morrendo de rir falando de alguma das idiotices que a gente sempre fala. E tem a minha Vida, que eu chamo de namorada e que tambem é minha melhor amiga, e minha 'mina', e que eu zouo falando que ela pega todo mundo, e que mesmo assim eu amo. E tem tambem o meu melhor amigo, sim, aquele que eu do risada dele, e que fica pedindo sempre pra mim passar alguma música pra fazer aquele tal de rebolation. E tem a outra melhor amiga, a que eu chamo de gorda, que o dente cai toda hora, que peida na sala de aula, que arrota, e mesmo assim, eu amo. E tem a outra melhor amiga, que eu tambem chamo de gorda, que eu reclamo da tintura que ela ta usando no cabelo, que eu reclamo da chapinha mal feita, e que mesmo assim eu amo. E sim, eu tenho muitos 'melhores amigos', além de todos aquelas esquisitices que eu ja falei, eu tambem não gosto de meio termo. Ou é melhor amigo, ou não é amigo. Meu jeito de amar é diferente, eu prefiro não ver o que todos gostam de ver, eu não gosto de pontuar a beleza dos outros, nem muito menos aquilo que agrada todo mundo. Eu tenho atração é pelo feio, pelo obscuro, pelo medo, pelo avesso, pelo torto. Eu gosto de amar as pessoas pelos seus defeitos, porque qualidades todos podem mostrar, mas são pouco os que aceitam seus defeitos. E pra amar os defeitos você tem que ir muito além do que a maioria pode ver. E se eles conseguem me amar, com todas as minhas crises, o meu mau-humor, as minhas reclamações, as minhas risadas histéricas, então eu tambem consigo amar eles com todos os defeitos deles. Eu amo gente, gente de verdade, gente igual eles, que me aguentam nas manhãs mau-humoradas, nas tardes insuportáveis e nas noites de crise. Eu amo os defeitos e as qualidades, mas acima de tudo eu amo eles, porque eles são de verdade, e isso é algo dificil de se encontrar hoje em dia ...