quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Eu estou bem

Pensar. Repensar. Reviver. Repassar tudo o que aconteceu e me ver como cada coisa me fez chegar aonde estou agora e, mais que isso, me fez ser quem eu sou hoje. Eu que sentia que o ciclo ja estava completo. Que tinha chegado ao meu maximo. Que não tinha mais nada pra mudar em mim. E a primeira coisa que eu aprendi esse ano foi que quando não se tem mais pra onde mudar, nós mudamos tudo. Ou pelo menos eu mudo. Não, eu não deixei de ser chato e ranzinza e reclamar de tudo o que eu vejo pela frente. Não parei de usar a minha sinceridade como uma arma sendo disparada para todos os lados. E não deixei de querer cada coisa em seu lugar, pelo menos as minhas coisas. Não, nada disso mudou. Tudo melhorou... Ou piorou, dependendo do ponto de vista. Afinal, tudo é um ponto de vista, não é? Mas eu estava falando de mudança e eu mudei. Eu me assumi... frágil. Assumi minha fragilidade, melhor que isso, eu abracei a minha fragilidade que de tão frágil podia se quebrar a qualquer momento. Eu posso me quebrar a qualquer momento. Aprendi a me reerguer sem deixar meus pedaços pra trás, afinal, ja tinha deixado muita coisa pelo chão nas outras vezes que eu caí, mas não por esquecimento, foi por achar que alguma coisas deveriam ficar no passado mesmo, mas aprendi que até os pedaçoes que merecem serem deixados pra trás precisam vir junto com a gente, mesmo que aumente o peso a ser carregado na viagem, é sempre bom ter de tudo um pouco na bagagem. Eu me assumi como pessoa, assumi o 'eu' que todos tentam descrever com uma letra de música que não entendem o significado ou com algum trecho de algum texto que leram em algum lugar e que acharam 'a sua cara'. Eu não acho nada 'a minha cara', eu que encontro minha cara em um pouco de tudo. E me ver em cada coisa, seja estourando o limite do cartão de crédito do meu pai em uma loja da Oscar Freire ou achando o pastel da feira perto de casa a coisa mais deliciosa do mundo, eu me vejo em cada coisa. E me ver em cada coisa me fez ter certeza de como eu sou. Quem eu sou. Minha fragilidade me faz ver o mundo de uma maneira que só eu consigo. Eu sou pavio curto, insuportável e tendo a falar verdades em momentos inapropriados. E abraçar tudo isso que eu sou me faz um bem que ninguem poderia entender. E abraçando quem eu sou eu abraço o mundo todo. Do meu jeito. De um jeito que ninguem compreende, só eu. Mas no final das contas isso me basta. Eu. Só eu me amando que eu consigo amar o resto do mundo. E hoje eu me amo. Por inteiro.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ficando

Estou no período mais perigoso do ano pra mim. Não, não é perigoso como pra um monte de gente que passa o ano inteiro economizando cada centavo pra chegar no final do ano e ir gastar as economias de um ano inteiro em presentes na 25 de Março. Se é que da pra dizer que o que vende la pode ser chamado de presente. Não é por causa disso que essa época do ano é perigosa pra mim, não, mesmo eu querendo gastar muito mais do que eu deveria pra ir no show de uma cantora que provavelmente nem vai me notar no meio de uma multidão de pessoas se estapiando pra conseguir chamar a atenção dela de alguma maneira, nem que pra isso seja necessário enfiar um pisca-pisca no rabo. Tenho um amigo que anda com um pisca-pisca no rabo, não literalmente, mas você entendeu o que eu disse. Mas o que eu quero dizer mesmo é que essa época do ano é perigosa pra mim e imagino que seja perigosa pra mais um monte de gente como eu. Gente que vive de dentro pra fora. Gente que só compreende o que tem internamente e acha que tudo do lado de fora é uma desordem sem tamanho. E é nessa época do ano que a desordem atinge seu pico. As pessoas esquecem do limite do cartão de crédito até o limite do bom senso. Meu pai resolveu me levar pra ver as luzes da Paulista em plena madrugada de sabado. Quando o que eu queria mesmo era estar no meu quarto com todas as luzes apagadas ou, melhor, estar na Paulista, sem ele e com alguem me fazendo enxergar luzes no escuro. É por atitudes como essa do meu pai que essa época do ano é perigosa pra mim. É como se enfiassem uma pilha alcalina no rabo de todo mundo. Tudo fica maior, melhor e mais bonito e brilhante. O que, do meu ponto de vista, torna tudo mais chato, irritante, feioso e desengonçado. Será que ninguem ve que tudo fica fora do eixo nessa época? A atendente da padaria me falou bom dia e perguntou como eu estava? Desde quando ela se importa como eu estou ou deixo de estar? Afinal, nos outros 350 dias do ano o que importava pra ela era se eu ia levar cinco ou seis pães. Porque hoje ela quer saber como eu estou? Ah, é a porra do final de ano de novo. E não foi só ela, o dono da banca, o açougueiro, a moça no caixa do marcadinho da esquina, todo mundo resolveu se preocupar como eu estou. Hoje. Amanhã. Depois de amanhã, talvez. E depois? Nada. Todos ja fizeram o teatrinho do bom vizinho por alguns dias, ta na hora de colocar as coisas nos eixos de novo. Tá na hora de ser quem vocês são de verdade outra vez. Ta na hora de cada um se preocupar só com o seu umbigo de novo. E por falar em umbigo, lembrei da minha prima. É que ela usa a segunda pior coisa que uma mulher pode usar, na minha opnião. E usa pircing no umbigo. A primeira seria usar o pircing e ainda por cima usar baby look pra mostrar esse pircing. E ontem, eu estava conversando com ela, ou tentando, ja que o pircing a mostra tirava minha concentração e a unica coisa que eu conseguia pensar direito era sobre quantas diferentes maneiras eu conseguiria sugerir que ela cobrisse aquilo, pelo menos na minha presença e pelo fato dela ter 13 anos tambem. E, entre outras coisas, ela me disse estar ficando com um carinha. Carinha esse que tem 21 anos e que com certeza ja deve ter visto bem mais do que o pircing no umbigo dela. E ela disse estar ficando com esse carinha e essa frase ficou martelando na minha cabeça esses dias. Não por ela estar ficando com um carinha, até porque, por mim ela poderia dizer que estava trepando com o condominio inteiro dela que eu não nem ligar. Mas é que ela não é a primeira que disse estar ficando com alguem. E eu acho isso engraçado. Ficar. Com alguem. Porque tanta gente diz ficar com alguem mas são poucos o que realmente ficam. E quanto mais ficam, menos ficam. E é ficando com esse ou aquela que nada fica de verdade.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Há tanto tempo

Peço lincença ao tempo e ao meu disfarce pra falar de você mais uma vez. Paro minha vida por alguns minutos mais uma vez pra reviver o amor que morreu a tão pouco tempo. Digo morreu há pouco tempo porque eu enterrei ele ontem, mas ele ja estava vegetativo há muito mais tempo. Seu aniversário chegou e com ele a realidade tambem. Pela primeira vez, em anos, eu não precisei fingir e me fazer de durão dizendo que não ia te ligar, eu não queria mesmo. Eu lembrei, sim, mas deixei pra lá, eu tinha coisas melhores pra fazer, ou não tinha nada, mas ainda assim era melhor do que te ligar. Mas eu não seria eu se não falasse nada. Você sabe muito bem, minha língua tem vida própria e quando eu abro a boca meu espirito faz escândalo. E cheguei, como sempre chego, com dois pés no seu peito, cuspindo em cima de você o nó que eu tinha na garganta há tanto tempo. E, pela primeira vez, desde o maldito dia que você apareceu como um furacão na minha vida e tirou tudo do lugar, eu não senti remorso. Eu não senti nada. Eu não quis e não quero voltar atrás. Porque se pra encontrar você eu preciso andar pra trás eu prefiro deixar de te encontrar. Pela primeira vez eu dou mais valor a mim do que a você. Pela primeira vez eu acordei com a sensação de ter, finalmente, te deixado pra trás. E tendo na consciência que eu posso até ter fodido as chances, mas você fodeu com todo o resto.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Eu não sei



Perguntam-me o que fizeram de errado comigo e a unica coisa que eu consigo responder é, 'Não sei.' Eu nunca sei. Na verdade, no fundo eu sei. Ninguem nunca fez nada pra mim. Sou é que faço com as pessoas. A responsabilidade é sempre minha. O erro é sempre meu. Me de a chance, faço acontecer e eu vou estragar tudo. Eu sempre estrago. Meu prazo de validade é curto assim como minhas esperanças tambem são. Errado pra mim é quando as coisas dão certo e tudo vai bem. O problema sou eu. Apesar da terapeuta dizer que não há problema algum, eu sei que há. Em três consultas ela disse que não tinha nada, que era só uma fase. "É só uma fase." É o que todos dizem na falta de algo melhor pra dizer. Ninguem fala a verdade. Eu sei a verdade e queria que pelo menos ela, que eu paguei e não foi barato por alguns minutos do tempo dela. Eu queria que pelo menos ela falasse a verdade. O problema estava na frente dela e ela não enxergou. Eu era o problema. Eu sou o problema. Eu ja não faço sentido nem pra mim mesmo. Eu ja estou cançado de começar milhares de frases com 'eu' pra mostrar a minha megalomania. Eu ja perdi o interesse em mim, em escrever sobre mim. Eu perdi o interesse em tudo e todos. Eu até tentei chorar, mas nem uma lagrima caiu, viu? Nadinha. Nem sentimentos eu tenho mais. Eu sou um espaço completo de vazio. Eu sou a ultima garrafa de refrigerante no deserto só que sem o refrigerante dentro. E se eu ja cansei de tudo, de todos, do mundo e de mim. Foda-se o mundo. Fodam-se todos. Foda-se os meus planos e eu junto com eles. E foda-se esse texto sem sentido tambem. Ja que nada nem ninguem fazem sentido pra mim nesse mundo eu tambem não preciso fazer sentido pra nada nem ninguem.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quase

Eu estava sentado na sala, era cedo ainda, poucos alunos tinham chegado. Nem todas as luzes estavam acesas ainda, uma tentativa dessas poucas almas que chegam primeiro que todo mundo, de dormir o sono que lhes foi roubado quando o despertador tocou. E eu tambem era uma dessas pessoas que o despertador tinha roubado o sono. Mas, no meu caso, eu estava bem, mesmo tendo dormido trinta minutos contados no relógio. Eu estava sentado e acompanhava o desfile de caras amassadas e hálitos de café com leite. E essa cena se repetia com cada pessoa que entrava, até que depois de um intervalo, ela entrou. Ela tambem tinha a cara amassada e aparentava o mesmo halito de café com leite dos demais, mas tinha algo a mais nela. Ela é aquele tipo de menina que tem tudo para ser linda, mas... não é. Ela tem o olho claro, daquele tipo que meninas arrancariam os próprios olhos, se pudessem fazer uma troca, mas nela não fica bem. Ela tem o tom de pele do tom que mulheres gastam horas e dinheiro naquelas camas que mais parecem um forno pra assar gente e no fim não conseguem nada além de um pele com cor de tijolo, ou telha, ou sei la, mas nela não fica bem. Ela tem o cabelo liso que milhões de meninas ficam horas na frente do espelho, passando chapinha, na tentativa inutil de chegar o mais próximo daquilo mas o resultado sempre me lembra algo muito próximo da vassoura velha que minha vó usa pra lavar o quintal dela, mas nela, nela não fica bem. Ela é a menina que tem tudo para ser linda, mas não é. Ela é quase linda e quando eu acho alguem quase qualquer coisa, me da uma vontade de abraçar, e gritar e sair correndo tudo ao mesmo tempo. Meu lado sensivel supera meu lado agressor e eu quero abraçar ela. E não só ela. Quero abraçar a amiga dela que é quase nerd demais e tem um senso de moda bem questionável. Quero abraçar o menino que tem o cabelo quase brirando o mal gosto. Quero abraçar o outro menino que é quase gordo demais e quase não cabe na cadeira que ele esta sentado, ou o rapaz que esta sentado na ponta da fileira de cadeiras, mas ele, pensando bem, eu não quero abraçar não. Eu tenho quase certeza de que o cabelo dele não ve água ha pelo menos dois dias. E se tem algo que eu não suporto é gente que não toma banho e acha que desodorante resolve o problema. Mas eu tenho pena. Se quase qualquer coisa é pior do que não ser nada, por que uma vez quase qualquer coisa, você é quase qualquer coisa o resto da vida. A menina que é quase bonita nunca vai deixar de ser quase bonita, ela no maximo vai conseguir ser quase feia. É como montar um quebra cabeças de 5 milhões de peças e no final descobrir que esta faltando uma peça. Ser quase é o estado vegetativo de qualquer coisa. Não tem mais solução mas ainda esta ali pra te fazer lembrar o quanto dói. Eu ja quase deixei de amar, eu ja quase deixei partir, eu ja quase joguei as cartas fora, eu ja quase rasguei as fotos, eu ja quase liguei pra dizer que ja quase fiz tudo isso. Mas no final eu não fiz nada. Eu continuei alimentando sentimentos mortos, por preguiça de deixar minha vida andar pra frente. Minha anda tão estacionada que eu ainda hoje uso você pra falar de dor, mas hoje eu quero mudar, hoje eu quero que sejam eles, que sejam vocês. Que seja qualquer pessoa, menos eu. Porque eu quase sou tanta coisa mas ninguem quer me abraçar igual eu quero abraçar todo mundo. Eu sou o paciente em estado vegetativo que ninguem quer alimentar mas tambem não querem desligar os aparelhos. Vou ficar aqui e vou continuar sentindo pena da menina quase bonita e agora das piadas quase engraçadas do meu professor. E agora eu entendo que é a falta que completa as pessoas, porque que alguem que tem tudo, seja la o que for, fica com falta de espaço para ser apreciado. Então não adianta achar alguem completo, e sim, alguem que esteja faltando algo, pra você completar.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O Inominável.

Hoje é um dia qualquer, de um mês qualquer. Hoje não é aniversário do dia em que eu te conheci, ou da ultima vez que a gente se viu. Mas eu estava aqui, sem nada pra pensar e comecei a pensar em você. Ok, não em você de verdade, mas no que você me fazia sentir. Eu não sabia e não sei dizer o que exatamente você me fazia sentir, eu só sei que eu amava o que eu sentia. Seja la o que fosse. E não sei porque, mas agora, agora mesmo, enquanto estou escrevendo esse texto sem sentindo algum, me bateu uma saudade tão grande de como eu me sentia que eu quase comecei a chorar. Lembrar de você e, mais ainda, lembra do que um dia eu senti por você abre buracos e feridas em mim e me faz sentir dores em lugares que eu jamais imaginei sentir. Eu ja sofri tanto te amando do meu jeito mudo e estático, e sofrer por você me fazia feliz. Sofrendo por você eu me sentia vivo. Sabia que meu existir tinha uma razão, mesmo que essa razão fosse ficar sem ar porque o seu sorriso era lindo demais, ainda assim tinha alguma razão. Mas agora, bom, agora não tem razão. Ver o que eu sentia por você morrer foi com ver uma mãe enterrando um recém nascido. Eu nem tive tempo de viver tudo o que eu sentia, mas minha vida já dependia daquilo, não literalmente, mas dependia. E você nem vai saber desse texto aqui, mas apesar de parecer, esse texto não é nem sobre, nem para você, esse texto é sobre mim e para mim. É mais como um lembrete a mim mesmo de como eu posso sofrer e conseguir sobreviver. É sobre como não importa o quanto eu afunde na merda, com um esforço sobre humano, eu saio dela, tomo um banho quente e descanso um pouco no escuro pra me renovar, pra depois, voltar e mergulhar de novo na minha piscina de dor. Esse texto é pra me lembrar que não importa o quanto de humilhações meu pai me faz passar, eu sempre vou sobreviver. Mas sempre, em um dia qualquer, de um mês qualquer, durante alguma aula em que eu não consigo prestar atenção, eu vou me lembrar. E isso vai me abrir feridas que eu acreditava não mais existir. E eu vou querer chorar. Mas ai eu vou lembrar que nem meu pai e muito menos você, merecessem uma lágrima minha. E então, eu vou ler um livro ou qualquer outra coisa. Tenho mais o que fazer do que perder tempo com vocês.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O monstro devorador de peitos e o que eu ainda preciso fazer.

Ninguem consegue entender essa minha vontade de morrer todas as noites quando eu deito na minha cama que sempre me parece pequena demais, como tantas outras coisas, para alguem com um coração do tamanho do meu. Me sinto desconfortalvel e claustrofóbico em qualquer ambiente que eu vá. É como se cada lugar que eu ande ou que fique ousasse tentar limitar tudo isso que eu trago pulsando no meu peito. Assim como São Paulo não cabe no Rio, meu coração não cabe em lugar nenhum. E é a noite quando estou deitado na minha cama, imerso em uma penumbra sem a qual eu não consigo dormir, escutando o barulho de alguns poucos carros em alguma avenida distante e o ronco do meu irmão. E Deus deve saber, como eu quero morrer nessas horas. Não que eu não queira morrer durante todo o resto do dia, mas é que durante o dia com todas as buzinas, os gritos, as músicas e mais buzinas e mais gritos, eu consigo desviar a minha atenção do monstro devorando meu peito. Me destruindo de dentro pra fora. E a noite, quando eu não tenho mais nada para me distrair e eu fico sozinho com o monstro devorador de peitos, eu quero morrer. Mas eu ainda não posso morrer, ainda não. Eu ainda preciso abrir as pernas da minha vida e mostrar as minhas vergonhas pro mundo inteiro em textos que ninguem compreende. Eu ainda preciso escutar gente que nem me conhece vir me dizer o que fazer com esse monte de mim que eu carrego nas costas. Eu preciso escutar essa mesma gente que não me conhece me chamar de depressivo e que eu sofro demais, como se todo mundo não fosse depressivo e sofresse demais, pelo menos as vezes, eu acho. Eu ainda vou ter que escutar muita gente me chamando de arrogante por falar o que eu penso, por não querer agradar ninguem, por ser fresco com comida, por ter aversão por pessoas que fazem barulhos desnecessarios e sentir vontade de vomitar ao ver casais que insistem em ficar se agarrando no meio do shopping. Eu ainda preciso ficar com raiva de gente medíocre que só le revista de fofoca e eu ainda preciso ficar com raiva de mim por tambem ser medíocre e ler revista de fofoca. Eu ainda preciso escutar meu pai reclamando que meu esta grande demais, que minha calça é apertada demais, que eu chamo atenção demais. Eu ainda preciso meus amigos passarem vergonha e ficarem com raiva por eu querer dividir a conta do barzinho igualmente entre todo mundo. Eu ainda preciso escutar minha mãe dizendo que eu tenho uma geleira no lugar do coração, quando isso não é verdade, ok, talvez seja. Eu ainda preciso resolver os problemas de todos os meus amigos quando ninguem tenta resolver os meus. Eu ainda preciso passar manhãs solitarias, tardes catatônicas e noites mal dormidas à espera de alguem que eu nem sei se existe. E só então eu vou poder me entregar a minha vontade. Mas enquanto isso eu passo minhas noites mal dormidas, tentando domesticar esse monstro devorando meu peito. Ai talvez, com um pouquinho de sorte, alguem va sentir falta, ou com mais um pouquinho de sorte, até sintam saudade do grunhido do monstro que eu trago dentro do meu peito.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

(...)

Isso tudo faz parte do que eu considero o maior problema que o ser humano encara e, a maioria das pessoas, não enxerga e nem se da conta disso. Nós só queremos, querer de verdade, aquilo que esta fora do nosso alcance.
Nós passamos a vida inteira querendo passar a nossa vida pra frente como se fosse um filme, querendo passar só nas partes boas. Quando nós somos jovens principalmente. Queremos passar logo tudo. Chegar a 'vida adulta' achando que vamos conhecer liberdade de verdade. Mas ai, quando nós percebemos que é muito diferente do que a gente imaginava e nos vemos presos a rotinas, obrigações e tarefas que não queremos fazer, tudo que nós mais queremos é voltar no tempo. Mesmo que seja pra passar por todos os problemas que passamos quando estamos na adolescência... E quando envelhecemos mais ainda isso só tende a piorar. E essa coisa da lembrança, isso é uma defesa dos seres humanos. Ninguem quer guardar as lembranças ruins e inconscientemente, as pessoas trancam essas memórias em suas mentes a ponto de esquecerem que elas existiram, ou no maximo, ter uma vaga lembrança de coisas ruins do passado. Ser humano não sabe conviver com a dor da decepção, da derrota, da frustação. Porque, desde pequenos, nós somos ensinados a querer ser os melhores sempre, a vencer sempre. Mas nem sempre é assim. Nem sempre da pra ser o primeiro na corrida e quebrar os records. As vezes temos que nos contentar com a limitação do nosso próprio corpo e mente. Mas ninguem consegue fazer isso, porque não quer e porque a sociedade nos cobra a perfeição em tudo hoje em dia. E por fim, quando chegamos em uma idade mais avançada, nos pegamos 'presos' a lembranças de todas as melhores épocas de nossa vida, e queremos reviver tudo isso. As melhores partes. Qualquer pessoa quer reviver o que foi bom e esquecer o que foi ruim, isso não é pecado pra ninguem... Nós só precisamos nos conformar com as nossas limitações e aceitar nossas responsabilidades perante o mundo. E aprender a conviver com a dor ou pelo menos aceita-la como ela é. Aceitar a dor, encara-la de frente, é o primeiro passo pra curar ela de verdade, não adianta fingir que ela não esta ali e esconde-la em algum canto, porque vai ser sempre como uma ferida que você, você pode até não ver, mas vai sempre ficar latejando na sua pele. E por fim, eu sei bem, são poucas pessoas que trazem no rosto o que realmente sentem. Alias, ouso dizer que nenhuma traz, simplesmente porque não são capazes de mostrar pro mundo o que realmente são. O ser humano tem necessidade de aceitação, e se mostrar como é, de verdade, é um risco muito grande e que abre uma brexa enorme para serem rejeitados, um risco que pouquissimas pessoas tem coragem de assumir hoje em dia.

(Retirado de uma conversa minha no msn.)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Hoje me chamaram de cafona e careta. Por um segundo, achei um absurdo, mas depois, pensando melhor eu sou mesmo. Eu acredito em monogamia. Em passeios de mãos dadas. Em café da manhã na cama. Em dividir problemas e alegrias. Em jantar a luz de velas. Em dormir de conchinha. Em amor, amor de verdade. Pois é, pensando em tudo isso que eu acredito, eu devo ser alguem cafona e careta no meio dessa gente que se acha tão moderna e que se diz tão feliz. Mas se a felicidade deles é tão contraria a tudo o que eu acredito, sinceramente, tenho medo do que seja a felicidade deles. Prefiro continuar sendo esse cafona e careta, mesmo que sozinho...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Roupa Rasgada.

Cai na mesma armadilha mais uma vez. Cai, de novo, naquela velha história de esperar demais de alguem que eu mal conheço. Eu espero demais das pessoas. Eu vejo onde ainda nem pode existir. Eu imagino uma vida inteira, uma história inteira, passando na frente dos meus olhos, em poucos segundos. Eu ja vejo minha vida inteira virando de ponta cabeça, meus sentidos sendo torcidos de maneiras que eu não conseguia nem imaginar e então eu acordo. Aparecem dezenas, milhares, todos os dias, cada um com um potencial diferente pra mudar minha vida e destruir os castelos que eu construo em alguns segundos. Eu não levo mais que cinco minutos pra passar a ficha criminal, que eu chamo de vida, inteirinha pra alguem que eu mal conheço. Eu tenho tanto medo das pessoas se aproximarem de mim e se assustarem comigo que eu ja me arregaço logo. Me abro totalmente. Vomito tudo o que eu acredito e defendo de uma vez só, sem pausas e sem desculpas. Mas eu esqueço que ninguem se aproxima de mim por querer saber o que eu penso, a não ser que o que eu penso tenha alguma coisa relacionada a chupar um pinto em uma sala de cinema ou dar no primeiro encontro. Ninguem se aproxima de mim pelo o que eu penso, mas sim pelo o que eu aparento pensar. As pessoas andam tão distorcidas hoje em dia que não conseguem mais diferenciar minha arrogância da minha sinceridade e minha antipatia com a minha seletividade. E isso me deixa morbidamente frustado comigo mesmo. Deus me deu um cérebro grande, pra eu ter milhares de pensamentos absurdos de uma só vez e ainda assim conseguir segurar o grito na minha garganta, uma bunda maior ainda, pra escutar as coisas mais absurdas vindas de mentes escrotas, e um coração grande e tolo o suficiente pra me martirizar e muito por preferirem uma bunda a uma cabeça que pensa em algo mais que sexo, alcool e mais sexo. Não, eu não acho que sexo seja dispensavel, muito pelo contrario, mas ainda assim, eu comparo uma boa conversa durante uma tarde preguiçosa, tão prazerosa quanto uma noite todinha de sexo, e se for uma coisa seguida da outra é melhor ainda. Mas as pessoas preferem a bunda ao cérebro. Preferem 15 minutos de sexo oral do que uma vida inteira de dedicação incondicional. As pessoas vivem tão rapidamente, hoje em dia, que conseguem encontrar um 'amor da minha vida' diferente pra cada semana, isso quando não é todo dia. O mundo tem me deixado tão confuso ultimamente que eu ja não sei se me orgulho de me sentir um marciano que ainda acredita em amar alguem por mais de uma semana e que mudar o 'status de relacionamento' no orkut não quer dizer porra nenhuma ou se quero pegar meia duzia na balada, e mudar periodicamente o status do meu orkut a cada semana, solteiro, namorando, solteiro, casado, relacionamento aberto, comendo fulano, dando pra ciclano mas se quiser dou pra você tambem, ou qualquer coisa do tipo que se coloque nesses status. Estou completamente fadigado do mundo, mas ja estou exausto de mim mesmo. Eu dreno minhas próprias forças como ninguem consegue fazer. E sabe de uma coisa? Quero deitar e dormir até perder a memória e quem sabe eu acordo e seja alguem um pouco menos diferente ou na pior das hipóteses alguem mais comum.

sábado, 1 de agosto de 2009

Meu problema com o mundo.

Todos sonham em ter um namorado. Todos querem alguem que seja brega o suficiente para alugar dezessete comédias-românticas para assistir em um final de semana frio, em baixo de um edredon, como estes desse ultimo mês. Todos querem alguem que escute, ou pelo menos finja escutar quando estão contando sobre qualquer merda que aconteceu durante o dia. Não precisa ser, basta fingir, pelo menos pra mim basta. Ja que não da pra ter de verdade, que seja de mentira. Mas ninguem finge mais nada. Ninguem quer saber de mais nada. É cada um por si e fodam-se todos. Encontrar alguem que queira dar um passeio no parque é mais dificil que acertar pedrada em avião. Meu problema com o mundo é justamente esse. Eu quero dar tudo isso, mas não tem pra quem dar. Escutou? Eu quero dar. Foda-se o mundo, eu quero dar. Mas tudo tem um preço. E o meu é ser enganado. Isso mesmo, me engane. Ja desisti, a muito tempo atrás de encontrar alguem que fosse capaz de se importar com o que eu estava sentindo ou sobre qualquer merda que eu tenha feito no dia. Uma vez eu achei que tinha encontrado mas logo entendi que, mesmo enxergando bem, eu ainda assim era um cego. Por isso, me engane. Finja que me ama, que se importa com o nada que eu fiz durante o dia, que quer me ter até não suportar mais sentir o cheiro do meu perfume. Fica mais um pouco. Me engana mais um pouco. Faz eu me sentir a melhor pessoa do mundo. Elogia minha roupa. Repara no jeito que eu cortei meu cabelo. Mente que eu não estou uns quilinhos a cima do peso. Finge que eu sou o cara mais bonito que você ja beijou e que mais desejou. Não olha pro filho da puta que ta dançando perto de você nessa bosta que seus amigos chamam de balada. Me leva pra assistir teatro. Me leva no cinema na terça a tarde, compra ingressos pra um filme infantil e aproveita que estamos só os dois na sala de cinema. Dorme na minha cama até seu perfume impregnar nos meus lençóis e quando você não estiver por perto eu poder ainda sentir o teu perfume. Quando eu estiver reclamando de alguma coisa, me olha e diga derrepente que me ama. Nem que seja de mentira. Me engana. Me deixa acreditar que você me ama de verdade. Eu preciso disso. Eu preciso acreditar que ainda existe amor. Nem que ele seja uma farça. Tudo hoje em dia é uma farça mesmo, até reality show é manipulado, então minha vida, meu próprio reality show, pode ser manipulado. Eu ainda não estou pronto para desistir de amar, e mais ainda, não estou pronto para desistir que alguem me ame. Então faça seu melhor, ganhe o oscar de enganação. Quem sabe me enganando tanto, você mesmo não consiga acreditar que me ama ...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Você pediu.


- Visitei.
- Rs. Gostou?
- Sim. Posso te adicionar?
- Ah, claro que pode, pô. Fique a vontade.
- Esta adicionado.
- Esta aceito.

...

Sinceramente, não sei o porque estou escrevendo um texto sobre você. Justamente você. Talvez seja porque logo que você resolveu apareceu segurando um guarda-chuva enquanto eu estava me molhando no meio de uma tempestade terrível e me ofereceu um espacinho, eu de fato acreditei que você poderia ser diferente. Talvez seja porque quando você leu meus textos e disse que eles eram muito tristes e que até sentia um pouco de angústia com tudo o que eu escrevia, eu achei que você realmente entendesse sobre o que eu estava falando. Talvez seja porque você tenha dito, quando eu mais precisava, que apesar de sempre ter alguem que fosse me fazer sofrer, sempre iam existir outros milhões de pessoas que iam querer me ver feliz. Talvez seja porque você me fez dar risada com uma meia dúzia de mensagens no meu celular durante a aula, ou até por causa das vezes que você resolvia me acordar quando eu dizia que ia faltar na escola. Talvez seja por causa das vezes que você veio me pedir ajudar com a sua lição de inglês. Talvez tenha sido pelos milhões de bolo que eu dei em você nos milhões de encontros que a gente supostamente teria, e mesmo depois desses milhões de bolos você continuava vindo atras de mim. Você me dava atenção. E assim como um cachorrinho de rua, me de atenção e eu ja vou sair abanando o rabo aonde você me chamar. Talvez seja pelo apelido que seus amigos me deram e que toda vez que eu me lembro, eu morro de rir. Talvez tenha sido por causa quase bolo que você me deu. Talvez tenha sido por causa da noite que nós ficamos juntos. Talvez seja pelos arranhões nas minhas costas que eu tive que esconder durante alguns dias. Talvez seja porque logo que você soube que eu escrevia, você pediu pra eu escrever sobre você e eu disse que você não ia querer que eu escrevesse um texto sobre você, afinal, meus textos são sempre tristes e são minha terapia quando preciso esculaxar com alguma coisa que eu estou sentindo. E você disse que então não queria um texto sobre você. Porém, veja quem ganhou na mega-sena hoje? Você. Você pediu, não? Pois é, você poderia, como muitos poderiam, ter sido a nação inteira que eu construiria pra mim. Tudo o que eu poderia ter te dado além de uns beijinhos e minutos de prazer em um canto escuro de balada. Tudo o que eu poderia ter estregue pra você sem pedir nada em troca. Tudo isso, absolutamente tudo, jogado no vento. Tudo isso deixado de lado por uma disputa de egos totalmente sem sentido. Enfim, hoje eu te dou a ultima coisa que você vai ter de mim. Hoje eu faço aquilo que um dia você pediu com tanta vontade. E agora eu termino você, como todos os outros textos que eu escrevi. Com um ponto final.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Restos


Estranho como eu tendo a acreditar que toda pessoa que eu beijo vai pegar meu mundo e virar de cabeça pra baixo e transformar tudo em um conto de fadas. Eu entrego tudo o que eu tenho para o primeiro que me da uns beijos e uns momentos de prazer durante um fim de semana, e eu preciso, urgentemente, parar com isso. Se entregar tão facil assustas as pessoas, eu ja devia estar consado de saber disso, mas sei la, quando eu vejo, ja não estou mais comigo mesmo. Gosto de deixar um pouco de mim com todos que passam pela minha vida, nem que seja só pelo curto, ou longo, período de um beijo, não interessa o tempo, encoste em mim, converse 1 minuto que seja comigo e você ja vai ter um pedaço meu com você. Mas eu guardo, guardo o que eu tenho de melhor aqui para alguem especial, e tantos poderiam ter sido especiais, mas ninguem tem paciência o suficiente para esperar para conseguir o grande prêmio, afinal, se ja levam um pedaço bom logo de cara para que esperar e correr o risco de ficar amarrado? Mas eu garanto, eu tenho tanta coisa guardada aqui que é tão melhor que me amassar em um cantinho escuro ...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Lembrancinha


É, eu sempre fico um pouco mais sensível quando chega perto dessas datas que as pessoas escolhem pra se amar mais. Essas datas em que todo mundo é feliz demais, todo mundo ama demais, todo mundo é amigo demais, todo mundo sorri demais. E daqui a alguns dias vem uma dessas datas que mais me deixam sensíveis. Daqui a alguns dias é outro dia dos namorados. Mas porra, alguem me explica pra que um dia especifico para os namorados? Porque eu, sinceramente, não vejo nenhuma utilidade a não ser arrumar uma desculpa pra pedir um presente para alguem e fazer com quem esta sozinho se sinta mais sozinho no mundo ainda. Ok, se eu tenho plena consciência de que dia 12 é só mais um dia comum, porque essa bosta desse dia me afeta tanto? Ah ta, isso eu tambem ja sei, é porque eu queria pedir um presente para alguem. Nada muito caro não, nem muito complicado de se achar, eu só queria o que anda faltando muito ultimamente. Eu só queria que a solidão de alguem fizesse compania para minha. Mas todo mundo me abandona. Todo mundo. Meus pais me abandonam. Meus amigos me abandonam. Meu cachorro e meus três hamsters me abandonaram. Até a minha escritora favorita resolveu parar de escrever e me abandonou. Porra, sera que alguem pode sentar do meu lado e me aturar por meia hora sem querer sair correndo no meu primeiro momento de distração? Caralho, será que ninguem percebe que essa minha auto-confiança é só um escudo que eu criei por não saber o que fazer comigo mesmo? E porra Deus, eu ja não espero alguem bater na minha porta dizendo que eu sou tudo o que a pessoa sonhava e tambem ja estou cansado de beijar sapos porque sei que nenhum vai virar principe, então por favor, me diz onde que esta escondido alguem que vai aturar minha inconsistencia emocional por mais de uma semana e que vai querer me dar um presente no dia dos namorados? Eu estou com os sentimentos tão a flor da pele que até os defuntos que eu ja enterrei há tanto tempo atrás resolveram levantar da tumba no melhor estilo Thriller e vieram me assombrar por causa de uma simples música. Eu ja voltei atrás na história de um amor que acontece uma vez só na vida, eu ja sei que apesar de tanto amor, eu ainda posso amor de novo, só que de outras maneiras. Mas no fim de tudo, eu só queria mesmo é que alguem se importasse de verdade comigo. Não vou mais ser o cara que alguem beijou na balada sem nem perguntar o nome. Eu não preciso de muita coisa não. Eu só preciso de um convite pra ir ao cinema pra não assistir filme nenhum. Eu só quero encontrar um 'eu te amo' escrito no meu guardanapo quando eu voltar do banheiro do restaurante. Eu só quero esfregar meus pés de baixo do edredon em um domingo frio. Eu só quero que alguem me ame, sem se perguntar o porque me ama, que apenas me ame. Eu só quero ... bom, na verdade eu só quero dormir em paz enquanto sei que meu mundo está seguro nas mãos de outra pessoa.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

De alma lavada


Eu te disse em alguma das ultimas tardes que a nós passamos juntos: 'Cuidado, uma hora a casa cai.' Mas, como sempre, você não me ouviu. Sabe, acho engraçada essa minha mania de querer tentar ajudar os outros sempre. Eu ando me doando muito facil, ultimamente. A pessoa só precisa de cinco minutos de conversa comigo e pronto, a mágica esta feita, eu ja estou la, servindo de esponja para os problemas do mundo. Alias, é assim mesmo como eu me sinto. Um esponja. E pior ainda, uma esponja retardada, igual aquela amarelinha que passa na Globo de manhã. Eu sou uma esponja. Me usam para tirar o que há de mais sujo nas suas existências, me esfregam em seus corpos até se sentirem limpas, fazem isso até não caber mais nada em mim, e quando não cabe mais nada e se sentem limpas o suficiente, o que as pessoas fazem? Me jogam fora. É, não importa quanto eu ajude, eu sempre sou jogado fora. E não, não quero parecer vitima do destino nem vou falar que ele tem sido uma criança levada comigo, mas que eu fico puto com isso, fico muito. Mas alguem um dia ja se perguntou: 'Mas e a coitada, como esta?'. Pois é, ninguem lembrou da esponja né? Foda-se a esponja agora, ou pelo espaço de tempo que você se sentir limpo. Foda-se a esponja. Mas quando você precisar de um banho, não aquele banho comum, mas aquele pra lavar a alma, é nessa hora que você vai procurar a esponja. Facil assim né? Eu te disse que um dia as coisas iriam voltar, e eu não sei quando, nem como, mas elas vão voltar, pode ter certeza. Eu te disse que eu enjou das pessoas, elas são previsíveis demais. São nojentas, mesquinhas e irritantes, e eu não consigo ficar mais de cinco minutos, perto da grande maioria, sem sentir uma vontade enorme de vomitar. É, eu sou assim. Não gosto do mundo que eu vivo, muito menos das pessoas que nele habitam. Eu te falei que eu sentia falta de alguem do meu lado e você disse que você estava, mas porra, cade você agora? Ah, ta vivendo sua vida. Como você sempre fez. Viver. A. Vida. Mas me desculpe, eu não acho que o que você leva seja vida, não mesmo. Eu nunca te falei, mas sempre acreditei, que você era diferente. Que com você seria diferente. Mas me enganei feio. É igual. Alias, infelizmente, é até pior. Você que me amava e eu respondi que o mundo esta cheio de pessoas que dizem amar, mas que não sabem nem sentir. E você disse que sabia sim sentir. E sabe de uma coisa? Sabia porra nenhuma. Eu cai do cavalo, como tantas outras vezes. Admito. Você pode até sair ileso dessa e das próximas vezes, mas acredite no que eu vou te falar, uma hora volta. E vai voltar bem pior. E quando voltar, não venha querer lavar sua alma, porque a sujeira que na sua tem, nem toda água do mundo vai conseguir tirar.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Eu tô sozinho


Eu só tenho piorado nos ultimos dias. Tudo tem piorado nos ultimos dias. Aquela velha insatisfação com tudo e com todos que me atormetava a uns tempos atrás, está voltando cada vez mais forte e esse sentimento de solidão só tem piorado mais ainda as coisas. Eu tinha o costume de dar risada daquela frase que fala que a pior solidão é estar rodeado de pessoas e sentir falta apenas de uma. Mas eu acho que a minha solidão é ainda pior, afinal, pior que estar rodeado de pessoas e sentir falta apenas de uma, é estar rodeado de pessoas e não saber de quem ou o que você esta sentindo falta. E eu não sei o que ou quem esta me faltando. A sensação que eu tenho ultimamente é de todo dia acordar com um pedaço meu faltando, como se durante o sono, por algum motivo que eu desconheço, um pedaço meu fosse arrancado durante um sonho que eu nunca tenho. Acordar de manhã, antes do sol nascer e ver a cidade acordando só piora a sensação. Eu quero transformar essa dor em dor fisíca. Eu quero que ela tenha forma, nome e sobrenome, cor e gosto, porque pelo menos assim, eu poderia comprar algum remédio ou colocar a culpa em alguem, mas dessa vez não tem ninguem para colocar a culpa e nem posso ir a uma farmácia comprar algo para me curar. Até porque, se eu chegar em uma farmácia e pedisse um remédio, um remédio que curasse uma dor que eu não sei da onde vem nem o porque vem, o farmacêutico com certeza ia querer me levar para reabilitação, e ao contrário daquela doida, eu ia dizer que sim! sim! sim! Meu desespero é tanto que eu apelo para o que for, seja banho de arruda ou até seção de descarrego, mas por favor, que a dor passe. Sento no meu quarto, no escuro, e escuto Los Hermanos como se eles estivessem aqui dentro do meu quarto, cantando a minha história e eu me pergunto se era eu que estava entrando em algum lugar quando o Camelo escrevia Cara Estranho. Mas eu no fundo eu sei que eu só preciso esperar. É só deitar no escuro, fechar os olhos e tentar esquecer de tudo e esperar. Mas não, não é porque eu acho que vai passar, porque eu sei que não vai passar. Essa dor nunca passa. Ela vai ficar latente em algum lugar aqui dentro e depois vai voltar mais forte, mais dominadora e mais agressiva. E ela vai ir e voltar e ir e voltar e ir voltar e ir e voltar até um dia que ela não vai mais precisar mais voltar, porque ela não vai ter mais lugar para se alojar.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Você seria...


Eu quase consigo gostar de você. É verdade, eu quase consigo. Você tem tudo aquilo que eu preciso sentir, pelo menos nos primeiros minutos da partida, para me fazer perder algumas horas de sono imaginando como seria acordar com você do lado. Você consegue deixar meu coração batendo milhões de vezes mais rapido nos momentos que antecedem o teu encontro e você sabe como eu gosto dessa sensação. Eu ja te contei em uma das nossas conversas, nas noites de insônia, que eu acredito que alguem que consegue fazer meu coração tentar pular pra fora do meu peito com tanta facilidade merece que eu gaste alguns dias, semanas, meses e quem sabe até anos da minha vida para que eu possa entender o que me faz ficar tão agitado. Seu tom de voz é baixo, do jeito que eu gosto. É o tipo de tom que eu gosto falando bem perto do meu ouvido, somando junto com a palpitação um arrepio que começa do dedinho do meu pé e vai até o ultimo fio de cabelo que eu tenho. Sua voz é tão calma que seria capaz de me acalmar até nos meus acessos de coléra, e você sabe que isso não é nada facil. Você escuta cada palavra que eu falo com a atenção de uma criança que esta assistindo seu desenho preferido. Você é provavelmente um dos seres humanos mais carinhosos que eu ja conheci. Você seria uma das pessoas que ia gostar de de dividir a conta do restaurante depois de ter assistindo um filme no cinema que a gente mal prestou atenção. Você seria uma das pessoas que eu gostaria de ver escovando os dentes e tomar banho juntos e demorar tomando banho juntos. Você seria uma das pessoas que eu ia gostar de ver o dia nascendo na varanda ou de dar bom dia ainda na cama. Você seria o tipo de pessoa que ia gostar de passar as tardes cinzentas, como hoje, debaixo de um edredon, comendo pipoca e fingindo assistir o filme que esta passando pela milhonésima vez na Seção da Tarde. Você seria tanta coisa pra mim ... seria. Você seria tudo que eu tanto preciso ultimamente, mas ainda falta alguma coisa. Você quase consegue ser tudo aquilo que eu preciso, que eu quero e que eu passo os dias procurando. Você seria tudo isso se quem precisasse não fosse eu. Você seria o par perfeito de qualquer pessoa normal deste mundo, menos eu. Eu não sou normal. Basta eu querer que você seja a pessoa que me faça respirar mais devagar enquanto o coração palpita, basta eu querer e você seria o amor da minha vida. Mas eu não quero. Não, o problema não é você, eu ja disse. O problema sou eu. O problema é que eu, apesar das palpitações e dos carinhos e da atenção e do amor e das conversas em noites de insônia, eu não quero. Não me pergunte o porque por que eu tambem não sei. Você é tudo o que eu preciso e tudo o que eu não quero e por tão pouco eu continuo um quebra-cabeças incompleto sabendo onde esta a peça que falta.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Ao vento ...


Rever fotos ao som de uma trilha sonora tão familiar e nostalgica provavelmente foi a pior idéia que eu tive hoje. As sensações que esse exercício me traz ja deviam ter me feito aprender que eu não posso fazer isso frequentemente, mas escapou. E o vazio que me da, ver tantas coisas passando na minha frente, reviver tanta história em tão poucos segundos ... é demais para o meu coração. Agora eu vejo como faz falta o reflexo involuntario que era sorrir ao ver a cara de sono de cada um de vocês, da onde de felicidade que invadia meu ser com cada sorriso ou bom dia que eu recebia ao aparecer. Da leveza que era assistir o dia, a tarde e até a noite passarem se arrastando em frente aos nossos olhos. Sinto falta das vozes ao meu redor me fazendo sentir como se cada flanco meu estivesse protegido por cada um de vocês. Sinto falta de cada um de vocês como eu sentiria falta de um dos meus pulmões. Eu ja devia ter me acostumado, afinal o mundo nunca mais foi o mesmo desde que eu conheci vocês ...

O que sobra ...


Parece que foi ontem. É, foi ontem mesmo. Subir a rua de casa, chorando como sempre, afinal, eu não queria ir para escola. Não gostava, sei lá. Eu ja era bem grandinho para a minha idade, mas não poupava a minha mãe de me arrastar alguns metros na tentativa ínutil de tentar fazer o tempo passar e não dar tempo de chegar na escola. Coitado, mal sabia que esse era apenas a primeira vez de tantas seguintes que eu iria perceber que o tempo não pode ser parado. E eu continuei me arrastando pelo chão, fingia não saber amarrar o tênis, fazia birra e dizia que não queria comer e, em casos extremos, me trancava dentro do banheiro o maximo de tempo que eu conseguisse para poder atrasar o maximo a ida a escola. Mas como todas as tentivas, essas foram apenas mais uma das tantas outras frustadas. Lembro de como eu chorava a noite, abraçado a minha mãe dizendo que não queria crescer. Eu dizia que queria ser criança para sempre e olha que eu nem conhecia a história de Peter Pan. Dizia que queria continuar criança porque 'gente grande' não brincava. Achava gente grande chata, um verdadeiro poço de mau-humor e chatisse, sempre com seus horários cronometrados e seus compromissos a todo instante. Eu assistia aquilo com os olhos inocentes de uma criança de cinco anos e desde então eu não desejava aquilo para mim. Meu espírito ja nasceu livre, só não avisaram ele que toda liberdade tem seu fim. O tempo passou para mim, como passou para todos. Talvez mais lento, ou até mais rapido, mas passou. A vida esta esmurrando a minha porta agora. Chuta, berra, toca a campainha repetidas e insistentes vezes. A vida chegou até mim, porque eu sempre retardei o maximo que pude chegar a ela igualzinho como eu fazia quando não queria ir para escola. O tempo passa para todos, mais lento ou mais rapido, mas passa e com ele vão se os anos, a juventude, as alegrias prematuras, a infância, os primeiros amores e temores, as primeiras descobertas ... o tempo leva tudo, mas ja que para toda causa existe uma consequencia, o tempo leva com ele tudo isso, mas deixa algo conosco. Em troca de tantas coisas que ele leva, ele deixa a saudade e agora mora tanta saudade aqui ... Sobra tanta saudade do cheiro da lancheira, das músiquinhas que a tia do prézinho ensinava, de sentir-se a pessoa mais inteligente do mundo por conseguir escrever o alfabeto inteiro no caderno de caligrafia, de acordar cedo pela primeira vez, da primeira namorada, da primeira discussão, da primeira briga na escola, da primeira nota vermelha, da primeira recuperação, de sentar e ver a tarde passar devagar ... a saudade mora nas pequenas coisas e são essas pequenas coisas que fazem uma enorme diferença.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Ultimo Suspiro


O sábado foi como qualquer outro sábado dos ultimos sábados que tinham passado. Dormir tarde e acordar mais tarde ainda. Nem o assalto do ultimo dia tinha mudado alguma coisa na minha mente. Nadinha. A tarde passou rapido como sempre. Mas eu tinha que arrumar as malas, e aí que estavam os problemas. A ar nostálgico que invadiu cada espacinho dos meus pulmões foi incrivel. Abrir a mala, a mesma maldita mala que eu usei para viajar com você, foi demais para mim. E colocar as roupas dentro dela então?! Foi terrível. Era impossivel não reviver cada instante que antecederam a semana que mudou minha vida para sempre. Arrumar cada camiseta, cada calça, era como se eu me forçasse a lembrar de cada segundo de tudo o que viria a seguir. Alias, eu fui mais longe. Acidentalmente, enquanto eu arrumava as malas, eu esbarrei no uniforme da escola, e mais uma vez aquela onde de nostalgia invadiu cada pedacinho que tinha em mim. Foi como ver um filme, relembrando cada segundo que antecedeu o primeiro dia de aula no colégio novo. Foi ver minha inocência enquanto arrumava o uniforme sem saber que dentro de algumas horas eu encontraria a pessoa que mudaria não só os meus dias, mas toda a minha vida. Como de costume, eu só consegui terminar de fazer tudo o que eu tinha que fazer quando ja era madrugada, mas ultimamente eu tenho o péssimo costume de querer trocar o dia pela noite. É como se quase silêncio que dura pelo menos umas oito horas, fosse o que eu precisasse para realmente recompor as minhas energias e colocar minhas idéias em ordem. E como eu não tinha sono, resolvi assistir ao unico filme que me fez chorar até hoje. E até hoje ele me faz chorar. E para não perder o costume eu chorei hoje de novo assistindo. Mas pela primeira vez o meu choro foi diferente. Mas antes de explicar o porque meu choro foi diferente, eu lembrei que precisava te contar algumas coisas antes. Lembra quando você estava tocando violão no fundo da sala e desprentensiosamente eu comecei a cantar a música que mais me irritou até hoje? Pois bem, foi naquele exato momento que eu comecei a te amar. A sua habilidade de transformar tudo o que eu odiava em prazer enorme para mim, sempre foi das coisas que eu mais amei em você. E confesso que nunca tinha sentido cíumes, pelo menos não o tanto que eu sentia de você. Nem a minha ultima namorada chegou perto. E bem, você pode imaginar o quanto foi terrível para mim no primeiro ano, não imagina? Mas sabe, apesar de tudo, eu sinto saudade de todas as sensações. Sinto saudade do cheiro que o mundo tinha, pelo menos para mim, naquela época. Sinto saudade de como tudo era um pouco mais colorido e alegre e inocente demais. E o meu choro de hoje foi diferente justamente por causa disso. Hoje eu percebi que eu sinto saudade sim, mas tudo na vida tem um porém, como eu sempre costumava te dizer. Hoje, apesar da saudade, eu vi que você ja não estava tão presente como costumava ser a alguns meses atrás. Eu não te sinto aqui agora, enquanto escrevo isso tudo, como eu costumava sentir e ter a estranha sensação de que no fundo, mesmo sem nem saber disso aqui, você sabia de tudo o que eu escrevia. Hoje o choro foi porque eu tomei consciência de que eu te amei com a intensidade e com força de que nenhum outro ser humano vai poder sentir emanando de cada fibra no meu corpo e você me amou como qualquer ser humano que você ama sente ser amado. Você foi o meu inicio, meio e fim de toda a história que eu vou contar mas eu fui apenas uma vírgula na história que você está escrevendo. E o choro agora é por saber que esse é o ultimo texto que você vai ser o protagonista. Por estar terminando esse texto sabendo que eu tenho resposta para as milhares de perguntas que eu sempre tive, mas que ainda faltam tantas outras respostas para os milhões de perguntas que eu acabei de formar. A pior delas é, e dessa eu sei a resposta, se eu vou ser capaz de amar alguem de novo. Vou sim. Eu espero ... E eu ja estou escrevendo sem nem intender o porque, estou escrevendo sem ter mais o que falar. É como se eu estivesse tentando ao máximo prolongar esse, que eu sei que vai ser o ultimo, texto sobre você. E quando não se tem mais nada para falar só me resta reafirmar uma coisa:

P.S. Adivinha ...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Espelho


Estou me olhando no espelho e perco a noção do tempo olhando nos meus próprios olhos. Não sei se foi o banho que eu acabei de tomar. Não sei se foram as discussões que eu acabei de ter. Não sei o que é. Sei que algo fez eu me perder em mim mesmo por algum tempo. Mas dessa vez eu me perdi mesmo, não foi como em outras tantas vezes que eu fiquei divagando em algum dasqueles pensamentos eufóricos que eu tenho antes de dormir. Dessa vez eu me perdi mesmo. E não foram em pensamentos. Foi como se eu estivesse me vendo pelo lado de fora. E eu fiquei ali por um bom tempo. Eu me analisava como um médico em frente a um doente. Analisava cada expressão, cada centímetro da minha pele. E a estranha sensação de que algo estava errado permanecia em mim. Algo no meu corpo não estava certo. Não parecia ser algo externo. Por fora parecia tudo estar muito bem, por sinal. O problema vinha de dentro. Algo dentro não cheirava bem. Algo estava muito errado. É era isso, por dentro tudo estava podre. Tudo estava em avançado estado de decomposição. O cheiro de dentro é terrível, e ver que aquilo tudo estava dentro de mim me enojava e me dava uma imensa vontade de vomitar. Vomitar tudo aquilo de podre que tinha dentro de mim. Enfia, uma, duas, três vezes o dedo na garganta, o peito ja doía, mas a podridão ainda estava dentro de mim. Mas eu começava a me acostumar com o cheiro, mas ainda assim, odiava a visão que eu tinha. Não sei dizer se aquilo tudo me agradava, me irritava, me entristecia ou se até mesmo eu me sentia realmente enojado com tudo aquilo. Bem, nojo eu não tinha mais. Não tinha nada ali para eu ter nojo, afinal, eu estava em mim mesmo, e que lugar melhor para se ser feliz sem ser em você mesmo? Então eu me sentei ali no meio daquele lugar que mesmo tão estranho me era tão familiar. E fiquei olhando, e vi tudo o que eu ja sabia que eu era. Eu vi toda a petulância e o meio mau-humor crônico, eu não era só mau-humorado por fora, meu mau-humor vinha de dentro. Eu vi a minha ironia, a arrogância e a minha ignorância tambem, elas eram enormes. Mas vi tambem meus sonhos, vi minhas virtudes, vi tambem os meus defeitos. Vi os amores que eu tinha, e vi tambem umas cicatrizer enormes, e cada uma tinha nome e endereço, eu vi o meu pavio curto. Até meus preconceitos eu vi. E foi então que eu entendi, que eu podia ser mau-humorado, petulante, irônico, arrogante, ignorante. Ser cheio de virtudes e defeitos. Carregar milhares de cicatrizes. E até ser preconceitoso. Mas tudo isso era eu. Eu sou tudo isso e eu sou nada tambem. Sou um monstro. Sou um anjo. Sou um limão daqueles mais azedos. Sou pequenininho mas meto medo. Eu sou o que eu quiser. Melhor, eu sou quem eu tento ser e estou bem feliz com o que eu sou e tento ser. E eu não tenho medo dos meus lados escuros, não tenho medo das minhas sombras. Isso é o que eu tenho para oferecer, e quem não gostar ... bom, quem não gostar que se foda.