sábado, 31 de janeiro de 2009

Ultimo Suspiro


O sábado foi como qualquer outro sábado dos ultimos sábados que tinham passado. Dormir tarde e acordar mais tarde ainda. Nem o assalto do ultimo dia tinha mudado alguma coisa na minha mente. Nadinha. A tarde passou rapido como sempre. Mas eu tinha que arrumar as malas, e aí que estavam os problemas. A ar nostálgico que invadiu cada espacinho dos meus pulmões foi incrivel. Abrir a mala, a mesma maldita mala que eu usei para viajar com você, foi demais para mim. E colocar as roupas dentro dela então?! Foi terrível. Era impossivel não reviver cada instante que antecederam a semana que mudou minha vida para sempre. Arrumar cada camiseta, cada calça, era como se eu me forçasse a lembrar de cada segundo de tudo o que viria a seguir. Alias, eu fui mais longe. Acidentalmente, enquanto eu arrumava as malas, eu esbarrei no uniforme da escola, e mais uma vez aquela onde de nostalgia invadiu cada pedacinho que tinha em mim. Foi como ver um filme, relembrando cada segundo que antecedeu o primeiro dia de aula no colégio novo. Foi ver minha inocência enquanto arrumava o uniforme sem saber que dentro de algumas horas eu encontraria a pessoa que mudaria não só os meus dias, mas toda a minha vida. Como de costume, eu só consegui terminar de fazer tudo o que eu tinha que fazer quando ja era madrugada, mas ultimamente eu tenho o péssimo costume de querer trocar o dia pela noite. É como se quase silêncio que dura pelo menos umas oito horas, fosse o que eu precisasse para realmente recompor as minhas energias e colocar minhas idéias em ordem. E como eu não tinha sono, resolvi assistir ao unico filme que me fez chorar até hoje. E até hoje ele me faz chorar. E para não perder o costume eu chorei hoje de novo assistindo. Mas pela primeira vez o meu choro foi diferente. Mas antes de explicar o porque meu choro foi diferente, eu lembrei que precisava te contar algumas coisas antes. Lembra quando você estava tocando violão no fundo da sala e desprentensiosamente eu comecei a cantar a música que mais me irritou até hoje? Pois bem, foi naquele exato momento que eu comecei a te amar. A sua habilidade de transformar tudo o que eu odiava em prazer enorme para mim, sempre foi das coisas que eu mais amei em você. E confesso que nunca tinha sentido cíumes, pelo menos não o tanto que eu sentia de você. Nem a minha ultima namorada chegou perto. E bem, você pode imaginar o quanto foi terrível para mim no primeiro ano, não imagina? Mas sabe, apesar de tudo, eu sinto saudade de todas as sensações. Sinto saudade do cheiro que o mundo tinha, pelo menos para mim, naquela época. Sinto saudade de como tudo era um pouco mais colorido e alegre e inocente demais. E o meu choro de hoje foi diferente justamente por causa disso. Hoje eu percebi que eu sinto saudade sim, mas tudo na vida tem um porém, como eu sempre costumava te dizer. Hoje, apesar da saudade, eu vi que você ja não estava tão presente como costumava ser a alguns meses atrás. Eu não te sinto aqui agora, enquanto escrevo isso tudo, como eu costumava sentir e ter a estranha sensação de que no fundo, mesmo sem nem saber disso aqui, você sabia de tudo o que eu escrevia. Hoje o choro foi porque eu tomei consciência de que eu te amei com a intensidade e com força de que nenhum outro ser humano vai poder sentir emanando de cada fibra no meu corpo e você me amou como qualquer ser humano que você ama sente ser amado. Você foi o meu inicio, meio e fim de toda a história que eu vou contar mas eu fui apenas uma vírgula na história que você está escrevendo. E o choro agora é por saber que esse é o ultimo texto que você vai ser o protagonista. Por estar terminando esse texto sabendo que eu tenho resposta para as milhares de perguntas que eu sempre tive, mas que ainda faltam tantas outras respostas para os milhões de perguntas que eu acabei de formar. A pior delas é, e dessa eu sei a resposta, se eu vou ser capaz de amar alguem de novo. Vou sim. Eu espero ... E eu ja estou escrevendo sem nem intender o porque, estou escrevendo sem ter mais o que falar. É como se eu estivesse tentando ao máximo prolongar esse, que eu sei que vai ser o ultimo, texto sobre você. E quando não se tem mais nada para falar só me resta reafirmar uma coisa:

P.S. Adivinha ...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Espelho


Estou me olhando no espelho e perco a noção do tempo olhando nos meus próprios olhos. Não sei se foi o banho que eu acabei de tomar. Não sei se foram as discussões que eu acabei de ter. Não sei o que é. Sei que algo fez eu me perder em mim mesmo por algum tempo. Mas dessa vez eu me perdi mesmo, não foi como em outras tantas vezes que eu fiquei divagando em algum dasqueles pensamentos eufóricos que eu tenho antes de dormir. Dessa vez eu me perdi mesmo. E não foram em pensamentos. Foi como se eu estivesse me vendo pelo lado de fora. E eu fiquei ali por um bom tempo. Eu me analisava como um médico em frente a um doente. Analisava cada expressão, cada centímetro da minha pele. E a estranha sensação de que algo estava errado permanecia em mim. Algo no meu corpo não estava certo. Não parecia ser algo externo. Por fora parecia tudo estar muito bem, por sinal. O problema vinha de dentro. Algo dentro não cheirava bem. Algo estava muito errado. É era isso, por dentro tudo estava podre. Tudo estava em avançado estado de decomposição. O cheiro de dentro é terrível, e ver que aquilo tudo estava dentro de mim me enojava e me dava uma imensa vontade de vomitar. Vomitar tudo aquilo de podre que tinha dentro de mim. Enfia, uma, duas, três vezes o dedo na garganta, o peito ja doía, mas a podridão ainda estava dentro de mim. Mas eu começava a me acostumar com o cheiro, mas ainda assim, odiava a visão que eu tinha. Não sei dizer se aquilo tudo me agradava, me irritava, me entristecia ou se até mesmo eu me sentia realmente enojado com tudo aquilo. Bem, nojo eu não tinha mais. Não tinha nada ali para eu ter nojo, afinal, eu estava em mim mesmo, e que lugar melhor para se ser feliz sem ser em você mesmo? Então eu me sentei ali no meio daquele lugar que mesmo tão estranho me era tão familiar. E fiquei olhando, e vi tudo o que eu ja sabia que eu era. Eu vi toda a petulância e o meio mau-humor crônico, eu não era só mau-humorado por fora, meu mau-humor vinha de dentro. Eu vi a minha ironia, a arrogância e a minha ignorância tambem, elas eram enormes. Mas vi tambem meus sonhos, vi minhas virtudes, vi tambem os meus defeitos. Vi os amores que eu tinha, e vi tambem umas cicatrizer enormes, e cada uma tinha nome e endereço, eu vi o meu pavio curto. Até meus preconceitos eu vi. E foi então que eu entendi, que eu podia ser mau-humorado, petulante, irônico, arrogante, ignorante. Ser cheio de virtudes e defeitos. Carregar milhares de cicatrizes. E até ser preconceitoso. Mas tudo isso era eu. Eu sou tudo isso e eu sou nada tambem. Sou um monstro. Sou um anjo. Sou um limão daqueles mais azedos. Sou pequenininho mas meto medo. Eu sou o que eu quiser. Melhor, eu sou quem eu tento ser e estou bem feliz com o que eu sou e tento ser. E eu não tenho medo dos meus lados escuros, não tenho medo das minhas sombras. Isso é o que eu tenho para oferecer, e quem não gostar ... bom, quem não gostar que se foda.