quinta-feira, 16 de abril de 2009

Eu tô sozinho


Eu só tenho piorado nos ultimos dias. Tudo tem piorado nos ultimos dias. Aquela velha insatisfação com tudo e com todos que me atormetava a uns tempos atrás, está voltando cada vez mais forte e esse sentimento de solidão só tem piorado mais ainda as coisas. Eu tinha o costume de dar risada daquela frase que fala que a pior solidão é estar rodeado de pessoas e sentir falta apenas de uma. Mas eu acho que a minha solidão é ainda pior, afinal, pior que estar rodeado de pessoas e sentir falta apenas de uma, é estar rodeado de pessoas e não saber de quem ou o que você esta sentindo falta. E eu não sei o que ou quem esta me faltando. A sensação que eu tenho ultimamente é de todo dia acordar com um pedaço meu faltando, como se durante o sono, por algum motivo que eu desconheço, um pedaço meu fosse arrancado durante um sonho que eu nunca tenho. Acordar de manhã, antes do sol nascer e ver a cidade acordando só piora a sensação. Eu quero transformar essa dor em dor fisíca. Eu quero que ela tenha forma, nome e sobrenome, cor e gosto, porque pelo menos assim, eu poderia comprar algum remédio ou colocar a culpa em alguem, mas dessa vez não tem ninguem para colocar a culpa e nem posso ir a uma farmácia comprar algo para me curar. Até porque, se eu chegar em uma farmácia e pedisse um remédio, um remédio que curasse uma dor que eu não sei da onde vem nem o porque vem, o farmacêutico com certeza ia querer me levar para reabilitação, e ao contrário daquela doida, eu ia dizer que sim! sim! sim! Meu desespero é tanto que eu apelo para o que for, seja banho de arruda ou até seção de descarrego, mas por favor, que a dor passe. Sento no meu quarto, no escuro, e escuto Los Hermanos como se eles estivessem aqui dentro do meu quarto, cantando a minha história e eu me pergunto se era eu que estava entrando em algum lugar quando o Camelo escrevia Cara Estranho. Mas eu no fundo eu sei que eu só preciso esperar. É só deitar no escuro, fechar os olhos e tentar esquecer de tudo e esperar. Mas não, não é porque eu acho que vai passar, porque eu sei que não vai passar. Essa dor nunca passa. Ela vai ficar latente em algum lugar aqui dentro e depois vai voltar mais forte, mais dominadora e mais agressiva. E ela vai ir e voltar e ir e voltar e ir voltar e ir e voltar até um dia que ela não vai mais precisar mais voltar, porque ela não vai ter mais lugar para se alojar.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Você seria...


Eu quase consigo gostar de você. É verdade, eu quase consigo. Você tem tudo aquilo que eu preciso sentir, pelo menos nos primeiros minutos da partida, para me fazer perder algumas horas de sono imaginando como seria acordar com você do lado. Você consegue deixar meu coração batendo milhões de vezes mais rapido nos momentos que antecedem o teu encontro e você sabe como eu gosto dessa sensação. Eu ja te contei em uma das nossas conversas, nas noites de insônia, que eu acredito que alguem que consegue fazer meu coração tentar pular pra fora do meu peito com tanta facilidade merece que eu gaste alguns dias, semanas, meses e quem sabe até anos da minha vida para que eu possa entender o que me faz ficar tão agitado. Seu tom de voz é baixo, do jeito que eu gosto. É o tipo de tom que eu gosto falando bem perto do meu ouvido, somando junto com a palpitação um arrepio que começa do dedinho do meu pé e vai até o ultimo fio de cabelo que eu tenho. Sua voz é tão calma que seria capaz de me acalmar até nos meus acessos de coléra, e você sabe que isso não é nada facil. Você escuta cada palavra que eu falo com a atenção de uma criança que esta assistindo seu desenho preferido. Você é provavelmente um dos seres humanos mais carinhosos que eu ja conheci. Você seria uma das pessoas que ia gostar de de dividir a conta do restaurante depois de ter assistindo um filme no cinema que a gente mal prestou atenção. Você seria uma das pessoas que eu gostaria de ver escovando os dentes e tomar banho juntos e demorar tomando banho juntos. Você seria uma das pessoas que eu ia gostar de ver o dia nascendo na varanda ou de dar bom dia ainda na cama. Você seria o tipo de pessoa que ia gostar de passar as tardes cinzentas, como hoje, debaixo de um edredon, comendo pipoca e fingindo assistir o filme que esta passando pela milhonésima vez na Seção da Tarde. Você seria tanta coisa pra mim ... seria. Você seria tudo que eu tanto preciso ultimamente, mas ainda falta alguma coisa. Você quase consegue ser tudo aquilo que eu preciso, que eu quero e que eu passo os dias procurando. Você seria tudo isso se quem precisasse não fosse eu. Você seria o par perfeito de qualquer pessoa normal deste mundo, menos eu. Eu não sou normal. Basta eu querer que você seja a pessoa que me faça respirar mais devagar enquanto o coração palpita, basta eu querer e você seria o amor da minha vida. Mas eu não quero. Não, o problema não é você, eu ja disse. O problema sou eu. O problema é que eu, apesar das palpitações e dos carinhos e da atenção e do amor e das conversas em noites de insônia, eu não quero. Não me pergunte o porque por que eu tambem não sei. Você é tudo o que eu preciso e tudo o que eu não quero e por tão pouco eu continuo um quebra-cabeças incompleto sabendo onde esta a peça que falta.