segunda-feira, 25 de maio de 2009

De alma lavada


Eu te disse em alguma das ultimas tardes que a nós passamos juntos: 'Cuidado, uma hora a casa cai.' Mas, como sempre, você não me ouviu. Sabe, acho engraçada essa minha mania de querer tentar ajudar os outros sempre. Eu ando me doando muito facil, ultimamente. A pessoa só precisa de cinco minutos de conversa comigo e pronto, a mágica esta feita, eu ja estou la, servindo de esponja para os problemas do mundo. Alias, é assim mesmo como eu me sinto. Um esponja. E pior ainda, uma esponja retardada, igual aquela amarelinha que passa na Globo de manhã. Eu sou uma esponja. Me usam para tirar o que há de mais sujo nas suas existências, me esfregam em seus corpos até se sentirem limpas, fazem isso até não caber mais nada em mim, e quando não cabe mais nada e se sentem limpas o suficiente, o que as pessoas fazem? Me jogam fora. É, não importa quanto eu ajude, eu sempre sou jogado fora. E não, não quero parecer vitima do destino nem vou falar que ele tem sido uma criança levada comigo, mas que eu fico puto com isso, fico muito. Mas alguem um dia ja se perguntou: 'Mas e a coitada, como esta?'. Pois é, ninguem lembrou da esponja né? Foda-se a esponja agora, ou pelo espaço de tempo que você se sentir limpo. Foda-se a esponja. Mas quando você precisar de um banho, não aquele banho comum, mas aquele pra lavar a alma, é nessa hora que você vai procurar a esponja. Facil assim né? Eu te disse que um dia as coisas iriam voltar, e eu não sei quando, nem como, mas elas vão voltar, pode ter certeza. Eu te disse que eu enjou das pessoas, elas são previsíveis demais. São nojentas, mesquinhas e irritantes, e eu não consigo ficar mais de cinco minutos, perto da grande maioria, sem sentir uma vontade enorme de vomitar. É, eu sou assim. Não gosto do mundo que eu vivo, muito menos das pessoas que nele habitam. Eu te falei que eu sentia falta de alguem do meu lado e você disse que você estava, mas porra, cade você agora? Ah, ta vivendo sua vida. Como você sempre fez. Viver. A. Vida. Mas me desculpe, eu não acho que o que você leva seja vida, não mesmo. Eu nunca te falei, mas sempre acreditei, que você era diferente. Que com você seria diferente. Mas me enganei feio. É igual. Alias, infelizmente, é até pior. Você que me amava e eu respondi que o mundo esta cheio de pessoas que dizem amar, mas que não sabem nem sentir. E você disse que sabia sim sentir. E sabe de uma coisa? Sabia porra nenhuma. Eu cai do cavalo, como tantas outras vezes. Admito. Você pode até sair ileso dessa e das próximas vezes, mas acredite no que eu vou te falar, uma hora volta. E vai voltar bem pior. E quando voltar, não venha querer lavar sua alma, porque a sujeira que na sua tem, nem toda água do mundo vai conseguir tirar.