segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O Inominável.

Hoje é um dia qualquer, de um mês qualquer. Hoje não é aniversário do dia em que eu te conheci, ou da ultima vez que a gente se viu. Mas eu estava aqui, sem nada pra pensar e comecei a pensar em você. Ok, não em você de verdade, mas no que você me fazia sentir. Eu não sabia e não sei dizer o que exatamente você me fazia sentir, eu só sei que eu amava o que eu sentia. Seja la o que fosse. E não sei porque, mas agora, agora mesmo, enquanto estou escrevendo esse texto sem sentindo algum, me bateu uma saudade tão grande de como eu me sentia que eu quase comecei a chorar. Lembrar de você e, mais ainda, lembra do que um dia eu senti por você abre buracos e feridas em mim e me faz sentir dores em lugares que eu jamais imaginei sentir. Eu ja sofri tanto te amando do meu jeito mudo e estático, e sofrer por você me fazia feliz. Sofrendo por você eu me sentia vivo. Sabia que meu existir tinha uma razão, mesmo que essa razão fosse ficar sem ar porque o seu sorriso era lindo demais, ainda assim tinha alguma razão. Mas agora, bom, agora não tem razão. Ver o que eu sentia por você morrer foi com ver uma mãe enterrando um recém nascido. Eu nem tive tempo de viver tudo o que eu sentia, mas minha vida já dependia daquilo, não literalmente, mas dependia. E você nem vai saber desse texto aqui, mas apesar de parecer, esse texto não é nem sobre, nem para você, esse texto é sobre mim e para mim. É mais como um lembrete a mim mesmo de como eu posso sofrer e conseguir sobreviver. É sobre como não importa o quanto eu afunde na merda, com um esforço sobre humano, eu saio dela, tomo um banho quente e descanso um pouco no escuro pra me renovar, pra depois, voltar e mergulhar de novo na minha piscina de dor. Esse texto é pra me lembrar que não importa o quanto de humilhações meu pai me faz passar, eu sempre vou sobreviver. Mas sempre, em um dia qualquer, de um mês qualquer, durante alguma aula em que eu não consigo prestar atenção, eu vou me lembrar. E isso vai me abrir feridas que eu acreditava não mais existir. E eu vou querer chorar. Mas ai eu vou lembrar que nem meu pai e muito menos você, merecessem uma lágrima minha. E então, eu vou ler um livro ou qualquer outra coisa. Tenho mais o que fazer do que perder tempo com vocês.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O monstro devorador de peitos e o que eu ainda preciso fazer.

Ninguem consegue entender essa minha vontade de morrer todas as noites quando eu deito na minha cama que sempre me parece pequena demais, como tantas outras coisas, para alguem com um coração do tamanho do meu. Me sinto desconfortalvel e claustrofóbico em qualquer ambiente que eu vá. É como se cada lugar que eu ande ou que fique ousasse tentar limitar tudo isso que eu trago pulsando no meu peito. Assim como São Paulo não cabe no Rio, meu coração não cabe em lugar nenhum. E é a noite quando estou deitado na minha cama, imerso em uma penumbra sem a qual eu não consigo dormir, escutando o barulho de alguns poucos carros em alguma avenida distante e o ronco do meu irmão. E Deus deve saber, como eu quero morrer nessas horas. Não que eu não queira morrer durante todo o resto do dia, mas é que durante o dia com todas as buzinas, os gritos, as músicas e mais buzinas e mais gritos, eu consigo desviar a minha atenção do monstro devorando meu peito. Me destruindo de dentro pra fora. E a noite, quando eu não tenho mais nada para me distrair e eu fico sozinho com o monstro devorador de peitos, eu quero morrer. Mas eu ainda não posso morrer, ainda não. Eu ainda preciso abrir as pernas da minha vida e mostrar as minhas vergonhas pro mundo inteiro em textos que ninguem compreende. Eu ainda preciso escutar gente que nem me conhece vir me dizer o que fazer com esse monte de mim que eu carrego nas costas. Eu preciso escutar essa mesma gente que não me conhece me chamar de depressivo e que eu sofro demais, como se todo mundo não fosse depressivo e sofresse demais, pelo menos as vezes, eu acho. Eu ainda vou ter que escutar muita gente me chamando de arrogante por falar o que eu penso, por não querer agradar ninguem, por ser fresco com comida, por ter aversão por pessoas que fazem barulhos desnecessarios e sentir vontade de vomitar ao ver casais que insistem em ficar se agarrando no meio do shopping. Eu ainda preciso ficar com raiva de gente medíocre que só le revista de fofoca e eu ainda preciso ficar com raiva de mim por tambem ser medíocre e ler revista de fofoca. Eu ainda preciso escutar meu pai reclamando que meu esta grande demais, que minha calça é apertada demais, que eu chamo atenção demais. Eu ainda preciso meus amigos passarem vergonha e ficarem com raiva por eu querer dividir a conta do barzinho igualmente entre todo mundo. Eu ainda preciso escutar minha mãe dizendo que eu tenho uma geleira no lugar do coração, quando isso não é verdade, ok, talvez seja. Eu ainda preciso resolver os problemas de todos os meus amigos quando ninguem tenta resolver os meus. Eu ainda preciso passar manhãs solitarias, tardes catatônicas e noites mal dormidas à espera de alguem que eu nem sei se existe. E só então eu vou poder me entregar a minha vontade. Mas enquanto isso eu passo minhas noites mal dormidas, tentando domesticar esse monstro devorando meu peito. Ai talvez, com um pouquinho de sorte, alguem va sentir falta, ou com mais um pouquinho de sorte, até sintam saudade do grunhido do monstro que eu trago dentro do meu peito.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

(...)

Isso tudo faz parte do que eu considero o maior problema que o ser humano encara e, a maioria das pessoas, não enxerga e nem se da conta disso. Nós só queremos, querer de verdade, aquilo que esta fora do nosso alcance.
Nós passamos a vida inteira querendo passar a nossa vida pra frente como se fosse um filme, querendo passar só nas partes boas. Quando nós somos jovens principalmente. Queremos passar logo tudo. Chegar a 'vida adulta' achando que vamos conhecer liberdade de verdade. Mas ai, quando nós percebemos que é muito diferente do que a gente imaginava e nos vemos presos a rotinas, obrigações e tarefas que não queremos fazer, tudo que nós mais queremos é voltar no tempo. Mesmo que seja pra passar por todos os problemas que passamos quando estamos na adolescência... E quando envelhecemos mais ainda isso só tende a piorar. E essa coisa da lembrança, isso é uma defesa dos seres humanos. Ninguem quer guardar as lembranças ruins e inconscientemente, as pessoas trancam essas memórias em suas mentes a ponto de esquecerem que elas existiram, ou no maximo, ter uma vaga lembrança de coisas ruins do passado. Ser humano não sabe conviver com a dor da decepção, da derrota, da frustação. Porque, desde pequenos, nós somos ensinados a querer ser os melhores sempre, a vencer sempre. Mas nem sempre é assim. Nem sempre da pra ser o primeiro na corrida e quebrar os records. As vezes temos que nos contentar com a limitação do nosso próprio corpo e mente. Mas ninguem consegue fazer isso, porque não quer e porque a sociedade nos cobra a perfeição em tudo hoje em dia. E por fim, quando chegamos em uma idade mais avançada, nos pegamos 'presos' a lembranças de todas as melhores épocas de nossa vida, e queremos reviver tudo isso. As melhores partes. Qualquer pessoa quer reviver o que foi bom e esquecer o que foi ruim, isso não é pecado pra ninguem... Nós só precisamos nos conformar com as nossas limitações e aceitar nossas responsabilidades perante o mundo. E aprender a conviver com a dor ou pelo menos aceita-la como ela é. Aceitar a dor, encara-la de frente, é o primeiro passo pra curar ela de verdade, não adianta fingir que ela não esta ali e esconde-la em algum canto, porque vai ser sempre como uma ferida que você, você pode até não ver, mas vai sempre ficar latejando na sua pele. E por fim, eu sei bem, são poucas pessoas que trazem no rosto o que realmente sentem. Alias, ouso dizer que nenhuma traz, simplesmente porque não são capazes de mostrar pro mundo o que realmente são. O ser humano tem necessidade de aceitação, e se mostrar como é, de verdade, é um risco muito grande e que abre uma brexa enorme para serem rejeitados, um risco que pouquissimas pessoas tem coragem de assumir hoje em dia.

(Retirado de uma conversa minha no msn.)