domingo, 20 de março de 2011

Achado

Então te olho e penso: Te acho tão bonito mesmo? Quer dizer, eu gosto quando você sorri, porque isso é raro e eu gosto de raridades. Confesso que te ver chegar todos os dias, alto, esguio e andando como quem sabe que não é mais um no meio daqueles mortais tem tornado minha vida mais complicada. Mas os finais de semana, ah, os finais de semana, são ainda piores. Troco de roupa uma, cinco, quinze, trinta vezes pra me sentir bonito o suficiente pra te encarar e você com, sei lá, regata velha e calça apertada da forma a idéia de Príncipe Encantado que eu tenho. E então eu danço agarrado com o bonitinho de shortinho curto, divido um drink com o moderninho de jaqueta de couro, dou um trago no cigarro do menino de sorriso bonito no canto da festa. E pode ser que eu beije e acabe na casa de um deles. Mas no final das contas, eles são só uma fuga. É o que todos são. Uma fuga, um dublê, só mais um. Todos são só mais um quando comparados a você. Vou atrás de pedaços seus nos outros enquanto não consigo ter você inteiro. Mas toda vez que eu fico perto desses que não são você, eu perco um pouco de mim e eu quero estar inteiro quando nosso encontro for inteiro. Quero que você me veja forte e completo. Quero estar completo e completamente do seu lado. E você não sabe há quanto tempo eu não sentia essa vontade de estar com alguém. Expulsei os bonitinhos de shortinho curto, os moderninho de jaqueta de couro e os meninos de sorriso bonito da minha vida. Não quero mais dublês de corpo. Enquanto nossos destinos não se cruzam, vou buscando meus pedaços que espalhei por aí, pra me entregar inteiro pra você.